[[legacy_image_146443]] A queda do desemprego de 14,4% em novembro de 2020 para 11,6% em igual mês do ano passado é animadora, pois representa uma preparação de terreno para aumentar o mercado consumidor. Esses dados estão na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entretanto, outra informação tira um pouco o brilho dessa recuperação de postos de trabalho: a renda média encolheu 11,4%, também em novembro, na comparação com mesmo mês de 2020. Segundo a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy, a inflação corroeu o poder de compra dos salários, mas os empregadores também contrataram com salários menores. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A queda da renda média, de R\$ 2.444 mensais em novembro no País (apenas 2,2 salários mínimos da época), foi resultado ao longo dos últimos 12 meses do aumento da informalidade, que paga salários mais baixos. Mas em novembro, veio uma novidade – a contratação com carteira assinada aumentou 4% sobre o trimestre anterior. O problema é que isso não puxou o salário médio. Isolando apenas o emprego formal, a renda média ainda encolhe, com - 8,7%. Com dados tão anêmicos, a recuperação perto do fim do ano passado estava bem frágil devido ao impacto da subida dos juros, que desestimula o investimento, o consumo e a tomada de credito em benefício das aplicações financeiras. O efeito da covid-19 não pode ser ignorado, mas em novembro o País registrava uma das menores médias de casos da doença desde o começo da pandemia, por volta de 10 mil infecções diárias. Agora, essa marca se multiplicou e está acima de 150 mil por dia. O efeito nos dados de janeiro, revelando o prejuízo causado agora pela variante Ômicron, deve ser publicado apenas em março, mas com a ajuda da vacinação espera-se que as perdas sejam menores e de duração bem mais curta. Esse cenário de crescimento fraco do Produto Interno Bruto, mas com o avanço do emprego em um ritmo mais forte significa uma menor produtividade com os novos empregos, segundo o economista do banco Rabobank, Gabriel Santin. De fato, entre 2020 e o ano passado, o avanço dos serviços por aplicativos segurou as pontas do mercado de trabalho, mas com laços precários e rendimentos ruins. Depois, o comércio retomou o fôlego aos poucos e o turismo também, mas ainda com dificuldades. Contudo, são áreas com salários médios mais baixos, enquanto o agronegócio, hoje moderno, emprega menos e a indústria, que passa por uma revolução tecnológica, também enxuga seus quadros. De qualquer forma, tudo indica que o arrefecimento esperado para a covid vai dar lugar ao crescimento econômico. Porém, com juros altos, tudo será mais lento. Espera-se que a campanha eleitoral não se torne uma guerra, a ponto de destruir mais um ano de retomada.