Imagem ilustrativa (Freepik) De 2012 até o ano passado, a renda domiciliar per capita (por morador) do Brasil saltou 32%, em valores atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), segundo o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), em reportagem do jornal Valor Econômico. Nesse período, o País mudou com o agronegócio e o petróleo, houve a explosão dos empregos por meio de aplicativos e os programas sociais foram consolidados. Entretanto, o Brasil manteve uma de suas piores mazelas, a desigualdade entre os estados. O Distrito Federal e São Paulo continuaram na liderança com as maiores rendas, enquanto o Maranhão permaneceu em último lugar. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Essa situação tende a persistir, segundo o levantamento, enquanto não aumentarem os recursos para o desenvolvimento do Norte-Nordeste, o que depende de investimentos em infraestrutura para conectar as regiões mais pobres às mais ricas e em educação, qualificando o capital humano. Porém, o que se vê são políticas até bem-intencionadas, mas que mudam de um governo para outro ou são descontinuadas, sem visão de longo prazo. Há ainda grandes volumes de verbas destinadas por meio de emendas parlamentares, onde a lógica é imediatista e voltada ao desempenho nas urnas. Dessa forma, o País registra melhoras sem garantir uma verdadeira evolução socioeconômica. De acordo com o estudo, alguns estados com rendas muito baixas em 2012 tiveram saltos importantes. Como Tocantins (de R\$ 1.243 para R\$ 2.036, alta de 63%), Alagoas (de R\$ 928 para R\$ 1.422, +53%) e Rio Grande do Norte (de R\$ 1.124 para R\$ 1.819, +62%). O próprio Maranhão, de R\$ 795 para R\$ 1.219, cresceu 53%. Mas o Norte, Nordeste e Tocantins continuaram abaixo da média nacional, que ainda é puxada pela concentração da riqueza no Sul-Sudeste e no Distrito Federal. O que impressiona é a distância entre as rendas do Distrito Federal e do Maranhão, de quase quatro vezes. Com a elite do funcionalismo federal e salários mais altos e estáveis, inclusive nas crises, Brasília registrou, em 2025, uma média de R\$ 4.538, enquanto São Paulo, em segundo lugar, atingiu R\$ 2.956. São Paulo se mantém com uma renda mais alta devido à concentração de investimentos, diversificação da economia e mercado de trabalho formalizado. Em seguida, destacam-se Rio Grande do Sul (R\$ 2.839), Santa Catarina (R\$ 2.809), Rio de Janeiro (R\$ 2.794) e Paraná (R\$ 2.762). Segundo os pesquisadores, os programas sociais e a valorização do salário mínimo estimularam as regiões mais pobres, mas foram insuficientes para reduzir a desigualdade de renda entre os estados. Para haver uma redução dessa distância, é preciso melhorar a remuneração do trabalho e aumentar a produtividade, fatores que exigem um ensino melhor e investimentos em geral. Por enquanto, o Brasil tem feito avanços lentos, em ritmo menor do que seus pares emergentes, principalmente os da Ásia.