[[legacy_image_287932]] “O mundo está derretendo”. Assim afirmou o ambientalista Márcio Astrini ao jornal O Estado de S. Paulo, em crítica à carta emitida pela Cúpula da Amazônia, nada além de intenções e sem garantir medidas práticas pela preservação do bioma. Do evento realizado em Belém (PA) por oito países abrangidos pela floresta, entre eles o Brasil, saíram promessas de combater o desmatamento, promover o desenvolvimento sustentável e enfrentar o crescimento do tráfico de todo tipo. Astrini ironizou, afirmando que o documento mais parece resoluções de Ano-Novo, as típicas metas geralmente procrastinadas. Geralmente encontros do meio ambiente são limitados pelo impasse, com relatos impressionantes da destruição da natureza e das mudanças climáticas cercados de conflitos de interesses. Entretanto, o calor extremo no Hemisfério Norte e as notícias de devastação das matas tropicais levam cientistas a alertar que, se os passos da sociedade frente a isso não avançarem, o caos climático se consumará. Esse descompasso entre o ritmo dos diplomatas e dos governos e o mundo real e o ímpeto devastador do ser humano é assustador, mas a cúpula pelo menos é um avanço no sentido de afinar compromissos entre os países e apontar soluções para problemas parecidos. No discurso pró-floresta do presidente Lula, a promessa de estimular o desenvolvimento sustentável das matas é recorrente. Entretanto, falta propiciar aos ribeirinhos e indígenas meios econômicos sustentáveis que gerem qualidade de vida e prosperidade ao mesmo nível que as atividades movidas a combustíveis fósseis, derrubada de árvores e eliminação da fauna. O que se vê hoje é que, conforme as rodovias passaram a cortar a floresta densa, aos poucos surgiram estradas “afluentes” que ajudam a levar garimpeiros, pecuaristas e traficantes de forma ilegal para regiões de difícil fiscalização. Aliás, a própria Amazônia é palco para o crime organizado se expandir, interligando negócios entre as capitais, como Manaus, e cidades de menor porte hoje ultraviolentas com o narcotráfico que há tempos se espalha pelos países vizinhos, que também sofrem o fenômeno das facções criminosas. O petróleo também postergou decisões mais contundentes da cúpula. O único a se posicionar contra essa fonte poluidora foi o presidente colombiano Gustavo Petro, contrariando Brasil e Guiana, que almejam extrair bilhões de barris de alto-mar em área contígua que chega próximo à foz do Amazonas. No Equador, a atuação de petroleiras é alvo de protestos violentos de indígenas. De fato, a cúpula não mirou o fim do uso do combustível fóssil, entretanto, se tornou uma chance de desenvolver mecanismos para desenvolver políticas em comum. Para isso são necessários bancos regionais de fomento e é preciso equipar fiscais e polícias contra os vários crimes que devastam a floresta. Com esforço, bons resultados poderão ser obtidos, faltando saber se chegarão a tempo.