Foto ilustrativa (Reprodução) Na maior crise de sua história, os Correios não param de acumular problemas e prejuízos. Até a manhã de ontem, o Plano de Desligamento Voluntário (PDV) da estatal havia registrado 2.347 adesões, número bem inferior à meta, que previa que 10 mil colaboradores deixassem a empresa este ano, além da projeção de outros cinco mil em 2027. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O PDV é um dos vários expedientes a que as companhias, sejam elas públicas ou privadas, recorrem quando muita coisa já foi tentada e as contas atingem um patamar crítico. Embora em um primeiro momento possa piorar o quadro ao oferecer benefícios e vantagens, a longo prazo o esforço é recompensado pela redução de custos com a folha de pagamento, quase sempre o item mais oneroso em uma empresa. A questão é que, mesmo que o PDV tivesse sido bem-sucedido, os Correios estariam muito distantes de uma solução. A estatal sofre com déficits desde 2022. Até setembro do ano passado, o prejuízo acumulado era de R\$ 6 bilhões, praticamente o triplo do registrado no mesmo período de 2024, quando o rombo foi de R\$ 2,1 bilhões. Para evitar que os serviços ficassem mais comprometidos, a gestão da empresa, com aval do Governo Federal, contratou um empréstimo de R\$ 12 bilhões com cinco grandes bancos a título de promover uma reestruturação financeira e fornecer capital de giro. Ainda que de imediato haja um alívio, passou da hora de o governo encarar o problema com a urgência que ele merece. Sob gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pensar em privatização é um tabu. Em recente entrevista, ele citou que uma concessionária não se responsabilizaria pela entrega da correspondência em localidades afastadas, que não trazem lucro. Faz sentido. Entretanto, não se pode, a partir de uma eventual dificuldade, aceitar passivamente que as perdas se sucedam e o contribuinte arque com o custo das medidas emergenciais. O correto seria trabalhar por um modelo que deixasse a parte menos interessante à iniciativa privada nas mãos do governo e o restante a ser explorado por quem pode imprimir uma gestão profissional, observando todas as necessidades do consumidor, entra elas a cobrança de preços justos pelos serviços prestados. Além disso, ao governo, ficar encarregado do lado menos interessante comercialmente não deveria ser um problema, pois o mesmo Lula já disse reiteradas vezes que empresas públicas não são feitas para dar lucro, e sim para atender quem precisa. Conjecturas à parte, a realidade ainda caminha longe de um horizonte favorável. Se não bastasse todo o passivo, a previsão orçamentária dos Correios para 2026 é de aumento de 21% nas despesas correntes e redução de 26% nas receitas. Como, em muitos casos, especialmente os de crise, o dia a dia costuma ser mais crítico do que planos e vaticínios, é de se esperar que no ano que vem o enredo se repita e nenhuma alternativa factível apareça para colocar a casa em ordem.