(Marcelo Camargo/Agência Brasil) A expansão das novas tecnologias conferiu status geopolítico, tal como o do petróleo, a um grupo de minerais de difícil produção e baixa oferta comercial no mundo. A China é líder mundial nessa extração e barrou o fornecimento desses metais aos Estados Unidos para forçar um recuo tático do americano Donald Trump com sua guerra tarifária. Assim como o país asiático, o Brasil avalia negociar suas reservas com a Casa Branca. A demanda é tão grande e ascendente que os países industrializados querem garantir suprimento para as próprias décadas. Espera-se que o governo brasileiro não seja voluntarioso ou comprometa seu potencial produtivo devido à urgência de barganhar pela redução da tarifa dos EUA de 50%. O País deveria ter mais ambição para buscar alto valor agregado e não apenas os extrair. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O interesse por essa produção tem relação com o desenvolvimento de baterias de automóveis eletrificados, painéis solares e semicondutores, componentes usados em toda a indústria de eletrônicos. São produtos que dependem dos minerais críticos, como lítio, cobalto, níquel e terras raras. Estes últimos são compostos de 17 elementos da tabela periódica, como escândio, ítrio e lantanídeos. O neodímio e praseodímio são fundamentais para produzir ímãs usados nos carros elétricos e turbinas eólicas. Todo esse conjunto não é necessariamente raro na crosta terrestre, mas, como estão espalhados em concentrações pequenas, são difíceis de extrair. O custo industrial para produzi-los é elevado, mas os valores de mercado de alguns deles superam em milhares de vezes a cotação de minerais comuns. Como a China está mais avançada nesse segmento, o país é responsável pela maior parte da produção mundial. O Brasil tem a segunda maior reserva mundial, mas explora uma pequena parte dela com apenas uma empresa, de capital externo. Uma das áreas mais cobiçadas para futuros projetos está na região da cratera de um vulcão em Poços de Caldas, Sul de Minas. A Agência Nacional de Mineração (ANM) concedeu 1.882 autorizações para pesquisa de terras raras, sendo 361 nessa parte de Minas. Além disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a formação de uma comissão com recursos para mapear esses minerais a partir de novembro. O País tem potencial de reservas, mas falta especificar onde e comprovar sua viabilidade comercial. Portanto, é uma riqueza desconhecida. Aliás, isso se repete pelo mundo e a cada hora se escuta falar de um país que tem terras raras ambicionadas pelos EUA. No fim das contas, o que se tem é uma nova corrida, tal como a do ouro ou do petróleo. No passado, muitas dessas ondas de euforia custaram vidas e exploração de empresas ou de governos fortes sobre países mais fracos, levando a um extrativismo selvagem que devastou a natureza e não agregou desenvolvimento aos povos das regiões com reservas. Por isso, é fundamental acompanhar com lupa eventuais conversas e evitar a pressa.