[[legacy_image_189567]] A expectativa de crescimento da construção civil no País este ano, entre 2,5%e 3%, conforme A Tribuna publicou ontem, é uma injeção de ânimo frente a um período de inflação e juros elevados. A expansão do setor é importante por liderar uma cadeia ampla de serviços e indústrias, empregar muita mão de obra e garantir oferta de imóveis às diferentes classes de renda. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Segundo a economista da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Ieda Vasconcelos, em apresentação no Summit da Construção Civil, evento do Grupo Tribuna, o momento do setor é “desafiador, mas cheio de oportunidades”. Os desafios dos construtores são suportar uma elevação dos custos dos materiais, impactados pela alta das commodities e a inflação, e a subida dos juros, que encarecem o crédito da casa própria. Entretanto, o setor tem apresentado muita resiliência, com um ritmo forte no primeiro ano da pandemia. Na época, o mercado imobiliário ganhou novas linhas de empréstimos, o IPCA (índice oficial da inflação) estava ao redor de 4,5% ao ano (11% agora) e a taxa Selic era de 3,75%, caindo para 2% no segundo semestre de 2020 (hoje é de 13,25%). Esses fatores puxaram as vendas de imóveis e, desde então, uma demanda reprimida mantém o setor aquecido. A recuperação do mercado de trabalho do País é fundamental para a construção, pois o tomador de crédito precisa de tranquilidade para pagar suas prestações. Entretanto, a oferta de postos passa por uma recuperação, ainda que lenta, e pela primeira vez o desemprego está abaixo de dois dígitos, em 9,8%, conforme a pesquisa do IBGE, que considera a contratação com carteira e a informal. Esse indicador, que melhora mês a mês, aos poucos amplia a massa de trabalhadores dispostos a comprar a primeira casa própria, trocá-la por uma maior ou reformá-la. Economistas afirmam que, neste semestre, talvez o País esfrie o processo de recuperação da primeira metade do ano devido aos juros altos e uma possível queda das exportações, o que pressiona o dólar, devido à inflação global e o risco de recessão nos países mais ricos, além de uma desaceleração da China. Por aqui, há uma chance de as injeções de recursos públicos por parte do Governo Federal com vistas à reeleição produzirem algum impacto, mesmo que temporário. Do lado da construção, é importante que ela siga com os negócios girando, desde a captação de recursos no mercado financeiro até a negociação dos imóveis prontos. O setor tem muitas oportunidades, como disse a economista da CBIC, porque ele é diversificado e há muitas camadas da sociedade que não podem abrir mão de um imóvel, como novos casais, estudantes e até recém-separados, lembrando ainda que o conforto da própria moradia ganhou importância durante a pandemia. Porém, é preciso que as condições macroeconômi-cas não se deteriorem e que o Governo colabore com seus programas habitacionais.