[[legacy_image_219976]] Muitos setores da economia sofreram tanto os impactos da covid-19 que, até hoje, não conseguiram superar o nível das atividades em fevereiro de 2020, um mês antes da instituição da pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Não é o caso da construção civil, que no trimestre passado atingiu nível 12,5% acima do verificado no final de 2019, quando a doença ainda não interrompia o convívio social e o trabalho. Se for considerado o período de abril a junho (segundo trimestre) de 2020, o avanço foi de 24,9%. Esses dados são da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que aponta que o ciclo de recuperação do setor só não é mais completo, porque permanece abaixo do início de 2014, sobre o qual opera um quarto a menos (-23,69%). Mesmo com a alta do Produto Interno Bruto da construção prevista em 6% para este ano, a CBIC calcula que há uma queda acumulada de 21,59% no período de 2014 a 2022. Portanto, antes de comemorar a fase recente, cuja comparação tem uma base depreciada (a de 2020), é preciso trabalhar muito para avançar. Em 2014, a taxa Selic estava em 10,5% ao ano, mas passaria a subir mais rapidamente até chegar a 14,25% em julho de 2015, quando a crise tomava conta do País e Dilma Rousseff sofreu impeachment em agosto do ano seguinte. Um contexto de crise inibe investimentos da construção e a disposição do trabalhador de comprar a casa própria, geralmente financiada. Em 2022, com juros básicos de 13,75%, o setor também sofre, mas sua resiliência impressiona. Para a CBIC, a pandemia atribuiu um novo sentido de casa própria às famílias, o que manteve os lançamentos imobiliários e as vendas. Como o ciclo da produção de imóveis é demorado, desde a aquisição do terreno e a licença na prefeitura até a conclusão da obra, a economista da CBIC, Ieda Vasconcelos, diz que o incremento das atividades da construção se manteve a partir disso. Um sinal desse crescimento é o de aumento nas contratações de mão de obra nas atividades que apoiam um projeto imobiliário, como empresas de demolição e preparação de terreno, de instalações elétricas e hidráulicas e de serviços de acabamento e de fundações, diz a CBIC. No fim das contas, a construção gerou 131,6 mil empregos apenas no Sudeste neste ano. Porém, o Brasil continua com a falha de não conseguir garantir a casa própria para a baixíssima renda. Essa fatia não consegue pagar uma prestação e depende de subsídios, que passaram a ser cortados com a falta de dinheiro do governo, levando à asfixia do caixa do então Minha Casa, Minha Vida. As ações das empresas da construção subiram na bolsa com a expectativa de que o novo governo destinará mais recursos a esse público, mas não se sabe como, pois as limitações de verba são elevadíssimas. Por outro lado, espera-se que a Selic passe a cair antes de junho, o que estimularia as famílias a tomarem crédito e o setor privado a construir.