Imagem Ilustrativa (Pixabay) A revisão para cima, pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), da projeção do crescimento de seu setor reflete fatores positivos, que devem continuar pesando até o fim do ano, dando sustentação a esse ritmo de recuperação. Em janeiro, a CBIC previa avanço de 1,3% em 2024, elevando em abril o percentual para 2,3%. Nesta semana, a entidade anunciou expectativa de 3%. Essa posição repete a análise de economistas em relação ao Produto Interno Bruto, também com taxas sucessivamente revisadas para cima, superando os 2%. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Um dos fatores fundamentais para acelerar o setor foi a Selic, que permaneceu em 13,75% de agosto de 2022 até junho do ano passado e que agora está em 10,5%. São juros ainda altíssimos, mas o recuo de três pontos deu um certo alívio ao mercado, gerando nos bancos, nas construtoras e na população confiança em mais estabilidade na economia e disposição para dívidas longas. Ainda é preciso aguardar se o programa de renegociação Desenrola vai ter impacto positivo no setor imobiliário, com mais famílias, com seu endividamento atenuado, investindo na casa própria. Por outro lado, a Selic entrou em fase de estagnação, o que é lamentável, com potencial para desacelerar o mercado sob o aspecto do custo do crédito. A confiança para tomar crédito habitacional também depende do mercado de trabalho, que avançou de forma muito robusta, com o desemprego caindo de 14% no auge da pandemia para atuais 7%. Neste ano, o País gerou 1,3 milhão de vagas, com aumento de salários, o que ampliou a massa de renda acima da inflação. Além disso, os programas sociais e o ganho de poder aquisitivo do salário mínimo despejaram dinheiro na economia. Aliás, o programa econômico do governo teve grande impacto no setor, principalmente pela expansão do Minha Casa, Minha Vida, que estimulou os investimentos das construtoras do segmento popular. Porém, a habitação enfrenta um gargalo no crédito, que precisa contar com novas fontes de recursos, além do Fundo de Garantia do Tempo do Serviço (FGTS) e da caderneta de poupança. Há dúvidas se ambos darão conta da demanda em caso de crescimento da economia brasileira por períodos mais demorados. A construção também acelerou o passo com a retomada de investimentos na infraestrutura e mais recentemente nas obras das prefeituras, considerando os prefeitos que ampliaram gastos para demonstrar resultados à população no último ano do mandato. Para os próximos meses, avalia-se o impacto da reconstrução do Rio Grande do Sul, que terá grande injeção de capital na reestruturação das cidades e na construção de moradias. Porém, boa parte dessa retomada do setor depende do equilíbrio fiscal do Governo Lula, pois um gasto sem controle agora vai comprometer a disponibilidade de investimento público no médio e longo prazos.