[[legacy_image_233055]] A equipe de transição do novo governo se manifestou pela expansão do refino nacional, faltando esclarecer de onde sairia tanto capital para tal investimento. Da própria Petrobras, que já destina muito dinheiro à difícil e arriscada exploração do pré-sal? Ou da iniciativa privada, por meio de alguma linha de benefícios? Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Pelo menos no papel, a ideia é expandir as refinarias por meio das unidades já consolidadas, como a de Presidente Bernardes, em Cubatão, o que, se concretizado, será vantajoso para o polo petroquímico. Outra possibilidade é retomar Abreu e Lima, em Pernambuco, um projeto que já estourou seu orçamento e foi alvo da Operação Lava Jato. O interesse do novo governo pelas refinarias se explica pela intenção de usar a Petrobras para a ideia da “reindustrialização” do País. Mas há um lado estratégico, que é o de garantir derivados para consumo interno. Hoje, 70% da demanda nacional é produzida por aqui, enquanto 30% vêm do exterior. Na visão da transição, essa dependência expõe o Brasil à volatilidade do mercado internacional, que não tem seus fundamentos apenas com base na oferta e procura. A geopolítica interfere nas cotações, com eventuais conflitos envolvendo países produtores, como Irã e Rússia. Entretanto, essa preocupação mostra uma sintonia com a fala do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, ainda na campanha eleitoral, de “abrasileirar” a política de preços, algo que gera profunda preocupação. Algum tipo de interferência mal compreendida pelo mercado poderia desestimular a importação, principalmente de diesel, atingindo-se o efeito contrário, que é de encarecimento ao consumidor justamente pelo risco de falta de disponibilidade do produto. Porém, há outras particularidades desde mercado do petróleo e dos derivados. Conforme o jornal Valor, praças de produção mais consolidadas, como a costa do Golfo americana, China, Rússia, Holanda e Bélgica, são muito competitivas e, em caso de queda dos preços, o que embute redução das margens de lucro, poderão inviabilizar grandes investimentos por aqui. Por outro lado, ainda que o novo governo questione o recente processo de privatização de refinarias (Rlam na Bahia, Reman em Manaus e SIX no Paraná), é preciso muito cuidado para não prejudicar suas operações, a ponto de desabastecer seus mercados locais. Há ainda todo um planejamento de descarbonização dos combustíveis, com pequenas refinarias especializadas no diesel verde, coprocessado com óleos vegetais e menos poluentes. Conforme apurou o Valor, existe um nicho de biorrefino almejado por companhias de menor porte, uma diversificação saudável e de competição que o foco na Petrobras não pode atropelar. Aliás, especialistas acreditam que o auge dos combustíveis fósseis vai durar apenas duas décadas. Também é importante posicionar a Petrobras e a imensa reserva do pré-sal para essa fase e uma revolução energética em curso.