[[legacy_image_146750]] Enquanto o Brasil consegue avançar mais com mineração e agronegócio, a força da China para exportar produtos industrializados concentra as discussões entre os especialistas brasileiros do comércio exterior. Esse quadro ficou mais claro ainda com a divulgação dos dados do ano passado das importações argentinas. Segundo o jornal Valor, a China acabou de ultrapassar o Brasil com a diferença de US\$ 1 bilhão, tornando-se líder em vendas na Argentina. Esse levantamento é da maior importância, pois permite analisar as dificuldades com que o Brasil oferta seus produtos, uma debilidade causada pela baixa produtividade. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O crescimento das exportações chinesas à Argentina é avassalador. Em 2011, o Brasil detinha 30% das compras feitas pelo parceiro sul-americano, enquanto a China registrava participação de 14,3%. No ano passado, o Brasil vendeu US\$ 12,4 bilhões aos argentinos, atingindo uma fatia de 19,6%. Já a nação asiática, com US\$ 13,5 bilhões, conquistou a dianteira com 21,4%. Pela grande disponibilidade de terras, avanços tecnológicos, clima favorável e dimensões territoriais que propiciam diversificar a produção para temperaturas amenas ou mais quentes, o Brasil tem grande vantagem no agronegócio em relação à China. O país asiático não consegue suprir com seus próprios alimentos seus 1,4 bilhão de habitantes, pois possui áreas menos elegíveis à agricultura, falta de água e poluição gerada pela energia a carvão e crescimento desenfreado. Já a Argentina é um cliente fundamental para o Brasil por permitir uma diversificação da pauta exportadora. Devido aos acordos do Mercosul, o país vizinho compra muitos industrializados brasileiros, principalmente veículos e autopeças. Pois é no setor manufatureiro que os chineses conseguiram avançar, vendendo US\$ 4,3 bilhões em bens de capital (máquinas), frente aos US\$ 1,6 bilhão do Brasil, e US\$ 2,7 bilhões em partes de máquinas e peças, contra US\$ 2,4 bilhões dos brasileiros. A força dos chineses não está apenas na competitividade (preços baixos) – as indústrias brasileiras não têm linhas de crédito suficientes para ampliar as vendas ao Mercosul. A disputa Brasil x China pelo mercado argentino, portanto, mostra que o governo brasileiro precisa promover mudanças estruturais profundas para diversificar as exportações. Isso porque não se sabe até quando, inclusive por questões ambientais e da volatilidade das cotações das commodities, o Brasil terá condições de continuar gerando saldos favoráveis apenas com agropecuários e minérios. Há uma série de reformas que precisam ser feitas, desde as burocráticas, como simplificação e redução da carga tributária, até melhorias em infraestrutura e capacitação de mão de obra. Não tem cabimento o Brasil perder clientes para a China, ainda mais por ter fronteira terrestre, língua e cultura semelhantes e relações centenárias com o país vizinho.