(Rogerio Soares/Arquivo AT) Órgãos meteorológicos, governos e empresas esperam que o El Niño se manifeste a partir do próximo semestre com intensidade acentuada. O fenômeno climático, caracterizado pelo aumento das temperaturas do Pacífico, traz uma série de consequências extremas, com furacões, seca rigorosa, chuvas intensas e muito calor. Com base na experiência com o último El Niño, tornando 2024 o ano mais quente de todos os anos e 2023 o segundo, há uma preocupação geral de cientistas do setor, defesas civis, entre outros profissionais do setor público, e ainda dirigentes de empresas. O Governo do Estado já anunciou um plano com sistemas de câmeras, monitoramento por satélite e parceria com o aplicativo de trânsito Waze e concessionárias de rodovias para evitar que se repita o caos dos incêndios nas matas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Porém, é preciso expandir esse preparo para o caso de chuvas fortes e seus eventuais impactos com enchentes arrasadoras e deslizamentos nos bairros em encostas. Desde as inúmeras mortes na Baixada Santista e no Rio de Janeiro, medidas preventivas foram tomadas, como alerta de temporais, sirenes nos morros e conscientização para abandonar temporariamente as residências mais ameaçadas. No Rio Grande do Sul, com a tragédia de junho de 2024, quando o estado passou semanas tomado pelas águas, a União e o Congresso realizaram mudanças para acelerar o processo de liberação de recursos para situações de emergência. Entretanto, falta fazer o investimento preventivo bem antecipado para evitar grandes tragédias, ainda que não seja possível impedi-las de castigar as cidades. Afinal, com tempestades mais violentas e maior número de furacões, até os países mais desenvolvidos têm sofrido com as mudanças climáticas. Mas o Brasil carece de realizar grandes projetos na infraestrutura das cidades, facilitando o escoamento das enchentes, estimuladas por muito concreto e asfalto, canais obstruídos e drenagem ultrapassada. A expansão das periferias das metrópoles e cidades médias com mais vias expressas, condomínios e espaços logísticos, ocupando áreas verdes, mesmo que tenham artifícios de sustentabilidade, dificulta o enfrentamento aos efeitos dos extremos climáticos. Proteger florestas, como a Mata Atlântica e a Amazônia, e trocar a frota de carros a combustão por eletrificados, derrubando a emissão de gases, são os meios mais eficientes para combater o aquecimento do planeta. Agora, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) diz que a possibilidade do El Niño se desenvolver até novembro é de 90%. Acredita-se que o fenômeno se repita de tempos em tempos, mas, com a devastação ambiental, ele se tornou mais frequente e extremo. No caso do Brasil, a previsão é de seca no Norte e Nordeste e muitas chuvas no Sul, afetando as cidades, prejudicando a produção agrícola e encarecendo a geração de energia. O alerta já foi dado, mas ainda falta ampliar o planejamento emergencial para reduzir a potência de eventuais tragédias.