[[legacy_image_316705]] A pesquisa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado (Creci-SP), em reportagem publicada ontem em A Tribuna, mostra uma expansão de 21,97% da venda de imóveis usados em outubro, em relação a setembro, na Baixada Santista. As entrelinhas do estudo indicam os primeiros efeitos da queda do juros básicos definidos pelo Banco Central. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Na análise do presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto, os compradores passaram a se sentir mais seguros para contratar um financiamento imobiliário, que é um compromisso de longo prazo, algo muito arriscado no Brasil. Com a Selic, que estava em 13,75% e após cortes de 0,50 ponto percentual a cada reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), agora está em 12,25%, o trabalhador percebeu que assumirá compromisso de menor custo financeiro e que o crédito mais barato poderá deixar a economia estável. Bom para o consumidor, as empresas e para os bancos, que terão menos problemas com calotes do que agora, isso se a redução da Selic permanecer ao longo do próximo ano e o governo segurar o ímpeto pelos gastos. Conforme a pesquisa imobiliário, de cada dez imóveis usados vendidos na região em outubro, seis foram concluídos com recursos de financiamento, sendo quatro da Caixa e dois dos bancos privados. Essa distribuição entre instituições antes já foi altamente concentrada na Caixa e é muito saudável que haja alguma concorrência, ainda que o segmento não estatal esteja mais concentrado nas classes média e alta. Por outro lado, o aquecimento do segmento de usados é importante para a construção civil, segundo entrevistas anteriores de empresários do setor, pois funciona como um “financiamento” alternativo dos imóveis novos. O proprietário vende sua atual moradia a fim de fazer uma espécie de ‘upgrade’, usando esse dinheiro como entrada no apartamento ou casa recém-construída. Além disso, passa a ser movimentada uma série de outros setores, como decoração, reformas e até serviços de advocacia. Por isso, é importante que das prefeituras aos governos Estadual e Federal saiam medidas de redução da burocracia e de ampliação do crédito para movimentar todo um setor imobiliário de grande potencial de geração de empregos e de negócios familiares ou de empresas dos mais variados portes. Contudo, os juros atuais ainda estão em dois dígitos e muitos inquilinos trocam de moradia em busca de aluguéis mais baratos devido à queda da renda, como lembrou a economista da UniSantos, Célia Rodrigues Ribeiro. Portanto, a base de tudo, que é a macroeconomia (juros, emprego e crescimento do Produto Interno Bruto), precisa de uma recuperação mais acentuada. Muitos indicadores apontam uma melhora, mas porque foram calculados em relação a resultados muito deteriorados. Isso significa que a consolidação de um crescimento sustentável ainda exige uma longo trabalho de ajustes.