[[legacy_image_127321]] A decisão de um grupo de países liderados pelos Estados Unidos de usar reservas estratégicas de petróleo e despejar no mercado entre 50 milhões e 70 milhões de barris parece mais uma sinalização para seus mercados internos. Esse movimento interessa ao Brasil, que passa pelo mesmo problema do impacto da valorização da commodity sobre sua cadeia produtiva e de prestação de serviços. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A ideia é pressionar a Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) para aumentar a oferta mundial. Com a reabertura das grandes economias, a Opep, apesar de ter anunciado um aumento de produção de 400 mil barris diários, não está atendendo as necessidades do momento, o que fez os preços dos combustíveis subirem no mundo todo. No Brasil, EUA e em muitos outros países os governos experimentam queda de popularidade devido à gasolina mais cara. Entretanto, na terça-feira, quando EUA, Japão, Reino Unido, Índia, Coreia do Sul e China anunciaram que usariam suas reservas, a cotação do petróleo subiu e ontem teve uma leve queda, mas longe de sofrer um revés. Tanto que o barril continua tranquilamente acima dos US\$ 80 (em um ano já subiu 78%). É fácil entender a indiferença – as reservas dos grandes compradores despejadas no mercado equivalem a apenas de um a três dias de consumo, conforme análise do Financial Times no jornal Valor. A Opep+ (o + representa aliados, como a Rússia) tem capacidade de produção diária de 40 milhões de barris, não muito abaixo da cota manobrada pelo grupo liderado pelos EUA. Além disso, a situação da Opep é muito confortável, pois cedo ou tarde esses consumidores terão que recompor suas reservas estratégicas, geralmente poupadas para períodos de guerra, fenômenos naturais, como furacões, ou até em caso de retaliação pelo Oriente Médio. O Brasil sofre mais com a subida do petróleo devido ao câmbio, que ganhou fôlego com as incertezas do risco fiscal do governo e com a inflação. O País produz 3,8 milhões de barris equivalentes diários (petróleo mais gás), mas continua um grande importador porque, segundo especialistas, as refinarias são da época em que o País dependia do Oriente Médio, cujo óleo é mais leve, o que vai ser alterado até meados desta década pela Petrobras, que vai adaptar suas unidades ao teor do pré-sal, um investimento bilionário. Mas outros países, inclusive os EUA, também fazem blends (mistura) de óleos para atender suas necessidades de refino. O que se conclui dessa briga entre consumidores e produtores é de que, no Brasil, a questão do preço não vai ser resolvida apenas com um entendimento entre União e estados sobre a pesada carga de impostos. Como muitos países ainda estão começando a reabrir suas economias, a pressão sobre a oferta de petróleo vai aumentar e a Opep não vai abrir mão talvez de sua última onda de grande valorização antes da commodity entrar em decadência por questões ambientais.