[[legacy_image_316289]] Desde meados do ano, o governo estimava uma balança comercial (exportações menos importações) entre US\$ 60 bilhões e US\$ 75 bilhões. Entretanto, no mês passado se chegou a US\$ 89 bilhões, com expectativa de encerrar 2023 em US\$ 93 bilhões. Esse resultado reflete o vigor do agronegócio, minério de ferro, petróleo do pré-sal e Embraer, além de efeitos do câmbio favorável, cotações de commodities que caíram menos do que se esperava e importações baixas porque o mercado interno está empobrecido. Do lado prático, isso significa muito ingresso de moeda estrangeira atenuando pressões pela valorização do dólar que teriam impacto na inflação, como a dos combustíveis. Por outro lado, não se deve acomodar com a excelente balança comercial, cuja análise profunda revela fraquezas em parte do setor produtivo nacional – e é sobre esse ponto que se deve trabalhar arduamente. O agronegócio avança com base na oferta de terras, cuja produtividade é facilmente ampliada pela tecnologia usada em larga escala, enquanto o petróleo entrou como item importante das exportações neste ano, porque a exploração do pré-sal agora cresce rapidamente. Além disso, o minério de ferro de Carajás continua seguindo aos montes para abastecer a indústria chinesa, enquanto a Embraer permanece como montadora de aeronaves impecável em um segmento altamente concentrado. Porém, o País não consegue ser um grande exportador, apesar de haver exceções, na indústria em geral, nos serviços e na tecnologia e, também no turismo, pois envolve conta em dólares, sem conseguir atrair multidões de turistas estrangeiros (não ser vizinho de regiões de alto poder aquisitivo prejudica, como EUA, Europa, Japão e China, mas o desempenho poderia ser melhorado). Mas o caso mais preocupante sob o lado estrutural é o das indústrias, que não conseguem exportar porque produzem mais caro do que seus pares lá fora e apresentam debilidades, como mão de obra de formação educacional precária, alta carga tributária, crédito caro, burocracia e infraestrutura de má qualidade. Além disso, falta uma cultura exportadora, tal como muitas economias asiáticas, acostumadas a negociar agressivamente, ou mesmo acordos comerciais que derrubem barreiras protecionistas. É muito importante diversificar a pauta de exportações, pois estar concentrado em commodities expõe o País a muitos riscos. Primeiro porque as cotações favoráveis ao vendedor de agropecuários e minerais são cíclicas - há períodos que tendem a cair. Também há uma exposição, no caso do agronegócio, ao clima, enquanto o minério de ferro depende do crescimento chinês e o petróleo, da geopolítica. No Brasil há o costume de se acomodar quando a situação está confortável, mas não se deve baixar a guarda. É preciso investir nas fraquezas setoriais por uma ampliação das capacidades de exportação do País.