(Freepik) No ano passado, o Brasil exportou US\$ 169 bilhões com a agropecuária, enquanto os Estados Unidos venderam US\$ 171 bilhões, segundo dados de ambos os governos. A diferença de US\$ 2 bilhões, em benefício dos americanos, foi o que impediu o Brasil de tomar dos americanos a hegemonia mundial na produção rural, conforme o jornal britânico Financial Times. É possível que neste ano o Brasil conquiste a dianteira, caso seca e temporais não castiguem o País. Independentemente das posições nas quais as duas potências em alimentos vão se consolidar, Brasil e EUA passam por momento altamente transformador em relação à disputa por mercados, principalmente o chinês. Mas, no caso brasileiro, apesar dos elogios que economistas e políticos prestam aos agropecuaristas e ao papel da Embrapa no aumento de produtividade, inúmeras dificuldades impedem um desenvolvimento mais acelerado. No País, enquanto o setor rural se desenvolveu ao longo das últimas décadas, as grandes cidades, com exceções, amargaram problemas como a violência urbana, decadência da indústria e dos espaços públicos e estagnação da população. As metrópoles continuam importantes como centros de geração de conhecimento e renda, mas o Interior mudou, com os recursos das exportações desenvolvendo municípios de menor porte e atraindo moradores das capitais. Porém, falta aos governos aplicar políticas econômicas que aproveitem essa onda do campo para tornar o crescimento de todo o País mais robusto e estável. O agro brasileiro ainda depende de mais investimento no transporte de cargas, em armazéns na região de produção e na formação de mão de obra para as fazendas, hoje mais tecnológicas e associadas aos fluxos do mercado financeiro. Os EUA continuam com uma infraestrutura eficiente para a produção e crédito mais barato, mas o país enfrenta alta dos custos e queda das cotações dos alimentos que comprimem seus lucros. As dificuldades fazem com que o setor rural peça proteção à Casa Branca, cujas tarifas, na prática, acabaram prejudicando os agricultores. Desde o primeiro mandato de Donald Trump, as sobretaxas causaram incertezas, enquanto a China, em reação, passou a represar a importação do agro americano, favorecendo o Brasil. Questionado pelo Financial Times, o governo dos EUA diz que está longe de perder a liderança, com previsão de vender US\$ 174 bilhões este ano, e que seus fazendeiros não dependem de um único comprador, em provável referência à China. No caso do Brasil, um terço das exportações, incluindo mineração e petróleo, fica com a China. Mas, ao contrário de Canadá e México, mais atrelados aos EUA, o Brasil tem, além da China, três parceiros principais – União Europeia, Argentina e os próprios EUA. O problema principal por aqui não é disputar mercados, mas reduzir o endividamento rural, melhorar a logística e enfrentar o protecionismo dos países ricos.