[[legacy_image_117299]] O novo aumento dos combustíveis, anunciado pela Petrobras na segunda-feira, é reflexo da valorização do petróleo, que neste ano já subiu 64%, considerando o barril do tipo Brent. Porém, outros fatores da composição dos preços da gasolina e do diesel colaboram para esses reajustes. A começar pela cotação do dólar, que avançou 6% também em 2021, uma complexa cadeia de impostos (ICMS, cuja alíquota é definida por cada estado, Cide, PIS, Pasep e Cofins) e etanol anidro (adicionado à gasolina e que subiu 69% em 2021). Pesam ainda os custos da Petrobras e da distribuição e revenda. Ainda que os estados reduzissem suas alíquotas de ICMS, os outros componentes, principalmente o petróleo e o câmbio, estimulado pela deterioração das contas do governo, vão continuar puxando os preços dos combustíveis para cima. Com o governo, sem recursos para bancar qualquer alívio aos motoristas, a última alternativa que resta seria o de sacrificar o caixa da Petrobras e seu programa de recuperação (redução da dívida, principalmente). Por isso, não se vislumbra alguma saída de imediato. Aliás, economistas afirmam que o petróleo ainda tem espaço para subir dos atuais US\$ 85 para US\$ 100 nos próximos meses. O tamanho da valorização da commodity vai depender da disposição dos detentores das principais reservas de aumentar a produção – e vão fazê-lo somente se o preço alto derrubar o consumo, prejudicando suas receitas. Não é o que parece, pois há uma sequência de países reabrindo suas economias, o que demanda mais petróleo. Não há certeza de quando haverá um equilíbrio razoável entre oferta e demanda. No Brasil, portanto, é de extrema importância que o governo não caia na tentação de ampliar mais os gastos públicos, além do que já está definido – os R\$ 83 bilhões que serão usados fora do teto de gastos (regra que limita as despesas do governo em relação ao ano anterior mais inflação) para encorpar o Auxílio Brasil, antigo Bolsa Família. Esse gasto público expansionista, além de ser inflacionário, amplia a desconfiança externa, o que estimula a subida do dólar, pois reduz ainda mais o fluxo da moeda para o Brasil. Não tem sentido culpar apenas a oferta insuficiente de petróleo ou esperar que os governadores aceitarão perder receita em período pré-eleitoral. Não há solução mágica e medidas como congelamento e pressão sobre a Petrobras, já testadas, resultaram em estragos de longo prazo. O câmbio é um fator importante para os combustíveis e, no Brasil, ele está há um bom tempo em níveis elevados, comparando a relação do real e das outras moedas dos emergentes com o dólar. Há ainda o risco da subida dos juros nos Estados Unidos. Se lá a economia crescer mais fortemente, isso valorizaria ainda mais a divisa norte-americana (os capitais dos emergentes migrariam aos EUA para aproveitar os juros altos). Portanto, a arrumação das contas do governo é fundamental.