[[legacy_image_227808]] Durante décadas, os Estados Unidos foram o principal parceiro econômico do Brasil, mas com o espetacular crescimento chinês dos últimos 20 anos, que só agora patina devido à covid, os americanos perderam esse posto e, juntamente com a União Europeia, foram ultrapassados pelo gigante asiático. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Entretanto, é possível que o Brasil tenha bons resultados comerciais com a aproximação política entre a Casa Branca e o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Sinal disso foi a viagem ao Brasil do conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, que se reuniu com o novo governo e depois o Itamaraty, ainda sob gestão de Jair Bolsonaro. O presidente americano Joe Biden poderá usar as relações com Lula para discutir questões latino-americanas, como o Haiti, envolto em violência de gangues, a crise humanitária do fluxo imigratório e a retomada diplomática de Washington com a Venezuela, que é essencialmente comercial. O Governo Biden quer voltar a comprar petróleo venezuelano, mas internamente (nos EUA), onde há muitos antichavistas se tornando eleitores republicanos, a Casa Branca não pode deixar de cobrar concessões políticas em favor da oposição ou de adversários de Nicolás Maduro. Além da futura gestão de Lula ambicionar maior protagonismo brasileiro na diplomacia mundial, espera-se que o presidente eleito esteja atento economicamente à nova ordem mundial. Americanos e europeus e possivelmente os japoneses estão decididos a não depender dos suprimentos chineses, como matérias-primas industrializadas ou mesmo produtos acabados. A China, por sua população numerosa e uma economia de grande porte que construiu, também tem rede de fornecedores e de clientes. O comércio mundial não deverá ser dividido ao meio com um muro intransponível, mas haverá alguns blocos com interesses em comum mais próximos que terão laços econômicos mais profundos. Por isso, observando esses dois lados, o ocidental e o chinês, economistas afirmam que os países emergentes que souberem se posicionar, bem como possíveis elos das cadeias de produção dessas duas potências mais a Europa, poderão entrar em uma nova era de crescimento. Os analistas citam muito Indonésia, Índia e Brasil. Os argentinos, por exemplo, se dedicam nos últimos meses a garantir a exportação de lítio, insumo fundamental para a indústria de veículos elétricos, para os Estados Unidos. No caso dos próprios americanos, eles correm contra o tempo para expandir sua própria indústria de semicondutores, os chips usados em eletroeletrônicos e automóveis, hoje 80% concentrada em Taiwan, que a China considera como parte de seu território. O Brasil desenvolveu ao longo de décadas uma eficiente diplomacia comercial, mas precisa ter uma economia mais aberta, com regras estáveis e segurança jurídica para atrair investimentos externos sob essa nova ordem econômica.