Em 4 de abril de 2016, uma quadrilha de 18 criminosos atacou uma transportadora de valores em Santos. Pois é exatamente esse caso que o especialista em segurança pública, Guaracy Minguardi, em artigo no Estadão de quarta-feira, considera como o primeiro de vários megarroubos realizados desde então. Nesta semana, em dias seguidos, Criciúma (SC) e Cametá (PA) foram palcos de crimes com as mesmas características do verificado em Santo, com grupo de dezenas de bandidos divididos em tarefas específicas: 1) atrasar a chegada da polícia; 2) invadir edifício abarrotado de dinheiro: 3) explodir os acessos ao cofre; e 4) empreender a fuga. A constatação que se tem é de que essa modalidade deu certo para os bandidos e que, se não abandonaram a prática, é porque não foram devidamente combatidos. Clique e Assine A Tribuna por R\$ 1,90 e ganhe acesso ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em lojas, restaurantes e serviços! Por isso, as duas ações feitas em cidades distantes 3,6 mil quilômetros ou a 51 horas de carro, indicam que esses grupos se multiplicaram. Dessa forma, é hora de haver um plano federal, com coordenação das investigações feitas em cada estado para combater essa prática. Ela desvia centenas de milhões de reais para organizações criminosas, que obtêm fundos para adquirir armamentos mais modernos e financiar estruturas que se assemelham a multinacionais, pois atuam em países simultaneamente. Questionados sobre o ataque em Cametá, as autoridades paraenses lembraram que já foram catalogados no estado 15 ações do tipo. Essas atividades se tornaram tão comuns no Norte-Nordeste que já ganharam até nome: novo cangaço. Pelo espetáculo de violência gerado, com consequente exposição nas redes sociais e veículos de comunicação, é provável que ficarão muito visadas e a possibilidade é que os alvos migrem para novas regiões ou que mudem algumas características para despistar a repressão policial. Devido à violência com tiros e bombas, as mortes de inocentes se repetem e, agora, com o uso de reféns, as forças policiais têm sua ação praticamente inviabilizada. A cada ataque desses, o comando da segurança pública diz que vai empregar sua área de inteligência, tal como o Governo do Pará afirmou na quarta-feira. Discute-se muito a possibilidade de ser uma iniciativa de facção criminosa ou de onde vêm os bandidos, porém, mesmo com prisões e detalhes divulgados, os casos se espalharam, ganhando o antes pacato interior do País. A preocupação com esse novo cangaço ou similares é que conferem ganho de escala para os criminosos, dando grande poder financeiro para diversificarem suas ações ou até cuidarem da retaguarda, desde a fuga até a defesa dos detidos no Judiciário. Esses crimes também dão sustentação ao contrabando de armas, cujos negócios crescem e podem facilitar ainda mais a oferta bélica para grupos que comandam as periferias das metrópoles. Trata-se de um efeito multiplicador para irrigar todo o País de toda forma de violência.