O surto de hantavirose no cruzeiro holandês MV Hondius faz relembrar a tragédia da covid-19, consideradas as devidas proporções, quando, em sua fase inicial, em 2020, o navio Diamond Princess, com centenas de casos confirmados, ficou quarentenado no Japão. Provavelmente a experiência com a covid-19 e protocolos desenvolvidos desde então deram condições para as autoridades internacionais agirem prontamente em relação ao MV Hondius. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Casos de infecção pelo hantavírus relacionados ao navio ainda estão sendo confirmados, mas se espera que medidas as mais rigorosas sejam tomadas. Trata-se de uma crise a ser acompanhada de perto. Cientistas alertam que a explosão do turismo e da imigração e interferência do ser humano no meio ambiente propiciam a disseminação de doenças infecciosas conhecidas ou mesmo novas. O MV Hondius é um cruzeiro de expedição voltado a regiões polares. A embarcação partiu de Ushuaia, na Argentina, quando ocorreu um surto por hantavírus da cepa Andes, causando três mortes e internações na África do Sul. A transmissão da hantavirose costuma ocorrer pelo contato com roedores infectados ou com sua urina, fezes, saliva ou inalação de suas partículas. Médicos também especulam sobre possível contaminação dos passageiros em terra e disseminação a bordo. Quando as infecções e mortes já estavam atribuídas ao hantavírus, o barco navegou até Cabo Verde, assustando a população, e depois chegou às Ilhas Canárias, com desembarque autorizado pelo governo espanhol, que alegou a presença de cidadãos do país entre os passageiros. As autoridades do arquipélago tentaram impedir a operação, alegando o risco de ratos se espalharem pelas ilhas. As Canárias são uma região autônoma, inclusive na gestão da saúde, mas Madri tem controle sobre as fronteiras, relações internacionais e a defesa internacional. Porém, não houve uma livre circulação dos passageiros a partir do MV Hondius ao território, mas o isolamento sanitário e repatriação com aviões para levar franceses, canadenses e britânicos, entre outras nacionalidades. A crise do MV Hondius também parece ter deixado as autoridades de saúde dos países mais atentas. No Brasil, Minas Gerais confirmou a primeira morte pela doença neste ano, via contato com roedores silvestres em lavoura, apontando que não se trata da cepa Andes. No Paraná, dois casos foram registrados e 11 estão em investigação, com o estado afirmando que a doença segue sob controle, posição oficial que costuma causar mais preocupação ainda. A infestação do navio ainda não foi totalmente desvendada, mas o que se percebe é a importância da Organização Mundial de Saúde (OMS). A instituição, menosprezada pelo Governo Trump e a extrema direita, mostra que uma coordenação mundial voltada à pesquisa e à definição de protocolos continua fundamental para debelar surtos de potencial destrutivo.