(Imagem ilustrativa / Unsplash) O derretimento do gelo no planeta, fenômeno alertado pelos cientistas como resultante do aquecimento do clima, preocupa pelo risco da subida do nível dos mares, ameaçando as cidades costeiras, com a Baixada Santista considerada entre as áreas mais vulneráveis, e países insulares, principalmente do Pacífico. Conforme A Tribuna publicou na última terça-feira, a missão brasileira na Antártica divulgou preocupante relatório sobre a redução do gelo marinho no Ártico e na Antártica. Conforme o estudo, no ano passado, deixaram de ser formados 3,4 milhões de quilômetros quadrados de gelo marinho, o equivalente a 14 vezes o território paulista. Essa conta não considera o que foi perdido nas calotas polares e nas montanhas das regiões mais frias. Trata-se de um dado mais assustador, somando-se às evidências já noticiadas e aos extremos climáticos dos últimos anos. Porém, isso não tem sido suficiente para convencer os radicais da política. O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que toma posse na próxima segunda-feira, deverá assinar rapidamente medidas que reverterão as políticas ambientais do Governo Biden. A ideia é estimular os combustíveis fósseis e revogar a proibição do uso de carros a gasolina, prevista para a próxima década. A sociedade ainda é dependente do petróleo, mas a rápida evolução para fontes limpas é condição para impedir uma tragédia climática irreversível antes de meados do século. Para piorar, os analistas preveem que Trump retirará os EUA do Acordo de Paris, que limita o aumento da temperatura média da Terra a 1,5°C em comparação à era pré-industrial, no século 19. Para isso, os países ricos têm que destinar muito dinheiro a essa transição, financiando as nações mais pobres – o argumento é que as grandes economias que poluíram o globo até o estágio atual. Entre os cientistas da missão brasileira na Antártica está o coordenador do Programa Maré de Ciência da Unifesp-Baixada Santista, Ronaldo Christofoletti. Autor do relatório sobre o gelo marinho, ele alerta para a relação das mudanças climáticas com os desastres ambientais, como enchentes no Rio Grande do Sul, erosões costeiras e tempestades disseminadas por várias regiões. Segundo ele, há efeitos econômicos, com a desregulação do regime hídrico impactando a produtividade agrícola e a economia em geral. Aliás, seca e chuvas em níveis extremos frearam no ano passado a produção agrícola brasileira. A decisão de Trump não decretará o fim das negociações feitas ano a ano nas conferências de mudanças climáticas das Nações Unidas, mas a reversão nos EUA, se confirmada, dará aos negacionistas e lobistas da economia poluente mais espaço político frente aos problemas ambientais evidentes. A única solução para os povos é acelerar a descarbonização, conscientizando a população e as empresas sobre a urgência de mudar comportamentos e adotar novas tecnologias mais limpas.