[[legacy_image_324594]] Hoje, um dos episódios mais tristes da política brasileira em todos os tempos completa um ano. Em 8 de janeiro de 2023, milhares de vândalos invadiram a sede dos três poderes em Brasília e destruíram tudo o que viram pela frente. Insatisfeitos com o resultado da eleição presidencial, que apontou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Jair Bolsonaro, os golpistas, boa parte deles acampada em frente ao quartel-general do Exército semanas antes pedindo intervenção militar, resolveram demonstrar toda sua ira, protagonizando cenas de violência e intolerância que rodaram o mundo e arranharam a imagem do País. O primeiro a ser vandalizado foi o Congresso Nacional. Na sequência, o Supremo Tribunal Federal. E, por último, o Palácio do Planalto. As instituições reagiram de forma imediata. Houve desdobramentos na forma de investigações, prisões, julgamentos e condenações. Até mesmo uma CPMI funcionou no Congresso para apurar as responsabilidades. Em meio às cenas de depredação, chamou a atenção a postura de alguns agentes de segurança, que apenas observavam o caos. Em âmbitos superiores, viu-se a mesma tolerância por parte de autoridades alinhadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, inspirador dos manifestantes com seu discurso contra as urnas eletrônicas e o Tribunal Superior Eleitoral, presidido à época por Alexandre de Moraes, a quem elegeu como seu principal adversário. Por sorte, não houve mortes, diferentemente do que ocorreu nos Estados Unidos, onde cinco pessoas morreram durante a invasão ao Capitólio em janeiro de 2021. Embora não tenha havido vítimas, a semelhança entre os episódios não poderia ser maior. Radicais insatisfeitos, motivados pela derrota do ex-presidente, deram demonstração de irracionalidade e truculência sem razão ou sentido. Por aqui, um ato reunindo políticos e ministros do STF hoje, em Brasília, vai relembrar a data e exaltar a democracia. Trata-se de medida acertada, apesar do inevitável viés político-eleitoral. É preciso valorizar a democracia e empreender todos os esforços possíveis para que episódios como este nunca mais se repitam. A invasão à sede dos poderes foi o ponto alto de uma polarização política que só fez mal ao Brasil. Normal que haja disputa entre opostos. O que não se pode admitir é a aniquilação do bom senso e até o ódio sem motivo. Afinal, trata-se de um só povo, de um só país, em que pese sua dimensão continental e a desigualdade social histórica. Para que o episódio receba o devido tratamento, é preciso que a punição seja firme e não leve a vida toda para ser cumprida. Se o que resta é apontar e punir os financiadores da tentativa de golpe, que não se perca mais tempo. O Brasil tem de enfrentar esse trauma, mas buscar paz e tranquilidade rumo ao crescimento e à solução de tantos problemas sociais que há décadas infelicitam milhares de brasileiros.