Terminei nosso último texto afirmando que “até a vacina, tudo representará riscos, não tem economia que se desenvolva”, e vem o Presidente da República dizer que “ninguém é obrigado a se vacinar”. O estudo da história demonstra ser tática do fascismo apostar na ignorância, e assim se apresenta a vontade do atual desgoverno. Ora, o direito individual, inclusive de ser ignorante, tem seu limite quando afeta o direito dos outros. Será o caso das vacinas contra a atual pandemia. A Constituição Cidadã de 1988, rompendo com o regime de arbítrio que havia se instalado de 1964 até 1985, definiu a Seguridade Social, compreendendo Previdência Social, Assistência Social e Saúde. Temos, então, o SUS, nosso Sistema Único de Saúde, motivo de inveja de muitos países por aí. A base do SUS está em três pilares: universalidade, equidade e integralidade. A obrigação dos pais de vacinar as crianças, com certeza terá a firme convicção do STF em julgamento próximo. E o direito individual de não tomar vacinas? Se a opção viesse acompanhada de absoluto isolamento, para não contaminar ninguém, além do compromisso de não utilização da rede pública de saúde, até poderia ser. O velho ditado reza que quem é burro, pede a... Mas o pior de tudo é que representa exatamente a aposta na ignorância. Contra a ciência está valendo tudo, de receitas comprovadamente inválidas até a negativa da vacinação. Para cuidados e descuidados com o próprio corpo, desde o aborto até fumar o seu baseadinho, o direito individual não vale nada. Tem gente que acompanha a “modinha”, dizendo que poderiam ocorrer efeito colaterais com a aplicação da vacina, e ainda tem quem afirme que a vacina trará junto um chip para controle da vontade do cidadão. Assim defendem os terraplanistas, negativistas da pandemia, antivacinistas e demais defensores da ignorância. A pandemia não acabou e os resultados da (falta de) política central no combate poderão nos levar a perda de duas centenas de brasileiros. O combate à ignorância se torna tarefa de todos os democratas.