Recentemente participei de uma visita técnica da Superintendência de Regulação da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) em um dos terminais de contêineres do Porto de Santos. Durante a incursão no pátio do terminal visitado, que contava com três grandes navios atracados, um deles chamou a atenção: o Maersk Labrea, um gigante de 300 metros de comprimento. Ao contrário dos demais navios, estava inoperante no cais. A operação havia “talhado”, jargão que indica o final das operações às 17 horas do dia anterior. Estava aguardando a maré alta que lhe possibilitasse partir com segurança. Após completar o embarque em cerca de 25 horas, com um calado de 14,15 metros precisou esperar mais de 12 horas a subida da maré, ocupando um berço disputado por outros navios que aguardavam a vez de operar. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Situação semelhante se replica nos demais terminais de contêineres no cais santista. Cerca de 10% do tempo produtivo do Porto é gasto com esperas improdutivas advindas de uma profundidade insuficiente no canal de acesso. Temos hoje 13,5 metros na baixamar e 14,5 metros na preamar, a maré cheia. Perdemos a oportunidade de embarcar cerca de 50 mil TEU (unidade de medida de um contêiner padrão) por mês pela falta de infraestrutura de acesso marítimo. E esta situação ocorre já há alguns anos, agravando o problema que nossos exportadores enfrentam com a alta ocupação dos pátios nos terminais de contêineres. No ano passado, a Autoridade Portuária de Santos (APS) atendeu ao mercado e, por meio do edital 51/2025, em julho, fez processo licitatório para o aprofundamento do canal em um metro, passando dos atuais 15 metros para 16 metros, suficiente para eliminar a necessidade de espera para grande parte dos navios. Estimamos que possa ser obtido um aumento de 10% na capacidade dos terminais pelo aumento do giro operacional, que corresponde a cerca de 600 mil TEU por ano. As propostas para o serviço licitado foram apresentadas em setembro e a vencedora ofertou o valor de R\$ 620 milhões para a obra que tem duração estimada de seis meses. Uma intervenção de grande retorno para o mercado exportador que usa o Porto de Santos e plenamente suportável pela APS, que fatura milhões de reais com a cobrança da taxa de infraestrutura aquaviária. A nota triste é que a licitação foi contestada pelo licitante que apresentou o menor preço e foi desclassificado no processo por não cumprir aspectos formais do edital. Recorreu o suposto prejudicado ao Tribunal de Contas da União (TCU), que suspendeu o processo licitatório em janeiro deste ano. O setor clama para que o imbróglio seja resolvido com rapidez, pois as perdas do setor produtivo, com exportações frustradas, da própria APS, com taxas que poderiam ser aplicadas nos contêineres que deixam de ser embarcados, e da União e municípios, com impostos que deixam de ser cobrados tem magnitude muito maior que a diferença de custo dado em causa para a suspensão do edital. Esse é o preço que pagamos por termos no País um sistema regulatório e de controle excessivo, situação discutida nos diversos eventos setoriais