O debate sobre a ligação seca entre Santos e Guarujá atravessa mais de um século. Uma obra dessa magnitude somente será concretizada e bem-sucedida se for conduzida com espírito coletivo, olhando para os benefícios de todo o complexo portuário, da Região Metropolitana da Baixada Santista e do Brasil. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Infelizmente, ao longo da história, grandes projetos de infraestrutura muitas vezes se tornaram reféns de interesses setoriais ou de decisões isoladas que, a qualquer momento, podem comprometer ou retardar empreendimentos estratégicos para o desenvolvimento nacional. Por isso, é fundamental que prevaleça uma visão integrada, capaz de harmonizar interesses legítimos, mas sempre subordinados ao interesse público maior. Foi justamente com esse propósito que a Autoridade Portuária de Santos (APS) instituiu uma Comissão Técnica Interinstitucional, reunindo representantes dos diversos órgãos públicos, entidades, operadores portuários, municípios e instituições diretamente envolvidos com o empreendimento. Essa comissão possui a missão de representar o conjunto do complexo portuário, assegurando que todas as contribuições sejam analisadas de forma transparente, técnica e equilibrada. O debate é legítimo e necessário. Todas as manifestações merecem ser ouvidas e consideradas. No entanto, uma obra dessa relevância não pode ser conduzida a partir de interesses isolados ou individuais. O desafio é construir soluções que atendam ao interesse coletivo, preservando a eficiência operacional do Porto e garantindo a viabilidade de um empreendimento que beneficiará milhões de pessoas. O túnel imerso Santos-Guarujá é fruto de uma construção conjunta. Trata-se da maior obra de infraestrutura em execução no Brasil, resultado da união de esforços do Governo Federal, do Governo do Estado, dos municípios da Baixada Santista, da comunidade portuária e das instituições que integram o complexo de Santos. É justamente essa capacidade de diálogo, cooperação e construção coletiva que permitirá superar um debate centenário e transformar em realidade uma obra aguardada por gerações. O túnel não pertence a um setor, a uma empresa ou a um governo. O túnel pertence à sociedade brasileira e ao futuro do Porto de Santos. *Advogado e presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS)