(Reprodução/TV Tem) As exportações pelos portos brasileiros estão em crescimento. Na Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), prevemos expansão de 3,5% neste ano. Em um setor que responde por mais de 95% da movimentação de cargas do País, representa uma injeção de aproximadamente R\$ 3 trilhões na economia nacional. Se a expansão ocorre com uma intermodalidade de cargas que chegam aos portos via rodovias ou ferrovias, poderia ser ainda melhor se o Brasil adotasse uma agenda de desenvolvimento mais sustentável por meio de rios que correm para o mar. Hoje, usamos metade do potencial de nossos rios, ou seja, 20 mil quilômetros atualmente são navegáveis. Isso não mudou nos últimos 15 anos. Expandir a rede hidroviária com recursos privados valorizando as questões socioambientais é perfeitamente factível. Em termos de custo, é um projeto acessível. A estruturação de uma hidrovia implica um rio já navegável, ou seja, custa menos do que realizar obras rodoviárias ou ferroviárias. Demanda serviços como sinalização, monitoramento e desassoreamento. Por sua alta capacidade de transporte, as hidrovias podem reduzir em até 40% os custos logísticos do setor, de acordo com o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor). Nesse sentido, é animador constatar, nos últimos anos, o surgimento de terminais portuários na Região Norte, conforme o Relatório Técnico do Plano Geral de Outorgas (PGO) do MPor e a crescente movimentação de carga por esse modal. O agronegócio já descobriu o potencial desse modal e têm recorrido aos rios para exportar commodities em grandes volumes com baixo impacto ambiental. Levantamento recente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) revelou como a Hidrovia do Tapajós reduziu emissões de dióxido de carbono ao evitar 20 mil viagens rodoviárias por ano enquanto transportava 1,2 milhão de metros cúbicos de combustíveis. A infraestrutura hidroviária ainda precisa, contudo, de mais investimentos para chegar a todo seu potencial. Por isso, é com otimismo que a ABTP acompanha a preparação da primeira concessão hidroviária do País, a Hidrovia do Paraguai. É importante ressaltar que a implantação da hidrovia tornará o rio navegável o ano todo e oferecerá serviços essenciais de hidrografia e gestão da hidrovia, com benefícios diretos às comunidades ribeirinhas, pescadores, passageiros, sem que esses precisem pagar por esses serviços. Apenas as grandes embarcações pagarão para trafegar pela hidrovia. Embora ainda se trate de um modelo embrionário, sujeito a aperfeiçoamentos, a concessão hidroviária é um caminho capaz de levar o Brasil a cumprir seu potencial e transformar seus grandes rios em modais eficientes, que gerem desenvolvimento, renda e descarbonização do meio ambiente. *Jesualdo Silva, Presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP)