[[legacy_image_237362]] Recado “Sempre senti que o verdadeiro livro-texto para o aluno é o professor.” Gandhi Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Pelé se foi. Está no céu batendo bola com Deus. A partida do rei ganhou manchetes na imprensa do mundo todo. Muitos comentaristas falaram em último adeus. Muitos questionaram: último adeus é pleonasmo? Há despedidas e despedidas. Nas mais curtas, dizemos tchau, até já, até logo, até logo mais. Nas médias, até à vista. Nas compridonas, adeus. Durante a vida, podemos dar vários adeuses à mesma pessoa. Na morte, damos o último. Não é pleonasmo. Posse A semana foi de muito movimento. Luiz Inácio Lula da Silva brilhou mais. Depois vieram os ministros. Em meio a solenidades, cumprimentos, desfiles, discursos, recepções etc. e tal, pintou a curiosidade. O que quer dizer posse? A palavra vem do latim posse. Significa poder. Cumprido o protocolo, os eleitos passam a exercer o poder que pleitearam ao se candidatar a este ou àquele cargo. Viva! Sorte pra todos. Modismo Na posse de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda, a mestre de cerimônias cumprimentou “a todas, a todos e a todes”. O público aplaudiu a novidade num evento oficial. Mas ficou a questão: todes figura na nomenclatura gramatical da língua portuguesa? Não. É modismo. No português, há dois gêneros – masculino (todos) e feminino (todas). Não existe o gênero neutro, que existia no latim. História José Sarney lançou a moda no Brasil. “Brasileiras e brasileiros”, saudava ele. Homens e mulheres acharam a novidade simpática. O SBT aproveitou a onda. Pôs no ar a novela com o mesmo bordão. A partir daí, distinguir o gênero deixou de ser gesto de simpatia. Tornou-se obrigação. De obrigação passou a obsessão. Hoje, virou comum situações como estas: “Convidamos os presentes e as presentes a se levantarem”, “Os estudantes e as estudantes devemusar uniforme”, “Os debatedores e as debatedoras chegarão ao meio-dia”. Reações aos exageros não faltam. Millôr Fernandes falava em “pessoas e pessoos”; Veríssimo, em “povo e pova”. Cidadãos temem que cheguemos a “humanidade e mulheridade” e “seres humano e mulherano”. Tempos modernos A luta pelo gênero se impôs. Hoje, distinguir o feminino e o masculino não é questão de correção gramatical. Brasileiros engloba homens e mulheres nascidos nesta alegre Pindorama. Gramaticalmente recebe nota 10. Mas escorrega politicamente. A razão é simples:esconde a mulher. Modernamente tornou-se praxe usar o masculino e o feminino. Dando-se visibilidade a ele e a ela, marca-se, na fala, a igualdade dos dois gêneros. No fundo, é questão de poder. Quem pode aparece. E daí? Você decide. Se quiser entrar na guerra contra elas, esqueça o politicamente correto. Mas prepare-se. Voltar às boas leva tempo. Valem as palavras de Bertold Brecht: “A paz não é só melhor que a guerra. É muito mais trabalhosa”. A verdade A língua é machista? Nada mais injusto. A coitada nem marca o masculino. O o não caracteriza o sexo forte. É a vogal temática da palavra. O a, sim, denuncia o feminino. O mesmo ocorre com professor, mestre & cia. Eles pertencem ao gênero masculino porque se opõem às formas professora e mestra. A diferença A oposição masculino x feminino faz a diferença. É o caso de menino, menina; vendedor, vendedora; presidente, presidenta. Sem oposição, convoca-se o artigo (o estudante, a estudante; o comerciante, a comerciante; o assaltante, a assaltante). Quando o artigo é o mesmo, só há uma saída– recorrer ao contexto. Valem os exemplos de criança e vítima. Como saber se se referem a mulher ou homem? Só analisando a frase em que aparecem. Leitor pergunta Quando escrever história com h maiúsculo? Patrício Macedo, Brasília Em geral, escreve-se história. História, com h maiúsculo, costuma ter vez quando nos referimos à história como ciência ou disciplina – História do Brasil, História da humanidade, História da civilização. História ou estória? Modernamente, usa-se história para designar tanto fatos quanto ficção: história da Branca de Neve, história da novela, história da ascensão dos partidos políticos no Brasil. Em resumo: não use estória.