Masculina ou feminina: Qual é a sua voz preferida no waze?

Para entender melhor como as pessoas escolhem essas vozes, fizemos recentemente uma pesquisa informal investigando as preferências “vocais” dos usuários do Waze

Por: Cida Coelho  -  02/02/21  -  11:38
Atualizado em 02/02/21 - 11:44
A esmagadora maioria, (85%) utiliza a voz feminina em seus aplicativos
A esmagadora maioria, (85%) utiliza a voz feminina em seus aplicativos   Foto: Reprodução

As vozes humanas estão presentes desde o nosso nascimento. Mesmo antes de aprender a falar, ouvimos vozes familiares que nos acalmam, acolhem e direcionam. Elas são tão importantes que Midlov, autor do livro Subliminar, da editora Zahar, atribui às vozes humanas um papel de destaque absoluto, superior ao poder da palavra. Diz ele: “Enquanto nossas mentes conscientes estão ocupadas pensando sobre o significado das palavras que as pessoas proferem, nosso inconsciente esta ocupado em julgar o interlocutor por outros critérios, já que a voz humana se relaciona com um receptor em área bem primitiva no cérebro.”


Clique e Assine A Tribuna por apenas R$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços!


Além dessa herança genética relacionada à voz impressa em nossos cérebros, as experiências que temos com as vozes com as quais convivemos ao longo da vida, vão criando uma espécie de referências, para o bem e para o mal. Gostamos mais de algumas vozes e abominamos outras. Isso é indiscutível, muito embora na maioria das vezes, a gente não tenha consciência de que isso acontece, e muito menos, por que acontece.


Com a chegada dos assistentes virtuais e aplicativos de localização, que usam a voz humana para os comandos, surgem opções de vozes e nossas escolhas podem dizer muito sobre o poder da “agradabilidade” das vozes.


Para entender melhor como as pessoas escolhem essas vozes, fizemos recentemente uma pesquisa informal investigando as preferências “vocais” dos usuários do Waze. Perguntamos se a voz em seu aplicativo era masculina ou feminina. A esmagadora maioria, (85%) utiliza a voz feminina em seus aplicativos. Não é nossa intenção nesse artigo, discutir esse assunto sob a ótica feminista, mas entender por que gostamos ou abominamos algumas vozes.


Grosso modo, podemos dizer que as vozes agradáveis são aquelas que são produzidas sem esforço e que entram em nossos ouvidos, também sem esforço, sendo naturalmente bem vindas. A ausência de esforço é, portanto, um quesito importante para uma voz ser bem aceita e avaliada. Mas não basta ser bem vinda. É preciso ser convincente e há vários outros fatores que influenciam esse quesito: “O tom, timbre, volume e cadencia da voz, a velocidade com que se fala e ate a forma como se modula altura e volume são fatores que influenciam muito o quanto se é convincente e como as pessoas julgam seu estado de espírito ou seu caráter” (Midlov).


No caso do Waze, as opções que temos em português na versão atual são as que foram denominadas “Alessandra” , “Mario” e ainda “Sandy e Lucas Lima”. Como não há uma interação real entre a voz e a rota que solicitamos, centenas de combinações de frases foram gravadas, para estarem disponíveis à descrição da nossa rota. Isso tira a naturalidade e a expressividade da comunicação, havendo uma tendência à robotização das vozes. Mas ainda assim, é possível observar que reagimos diferentemente a elas e isso é muito interessante. Pode até haver tendência, mas não unanimidade em relação a uma voz.


Então, se você faz parte do grupo das 85% de pessoas que usa a voz feminina, veja em primeiro lugar, se trata-se de uma escolha, ou se você a usa apenas porque aceitou a configuração padrão. Depois, experimente outras vozes durante algum tempo. É uma “brincadeira” boa e ao mesmo tempo um bom exercício de autoconhecimento e tolerância vocal. Vale a pena!


Tudo sobre:
Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna. As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.
Logo A Tribuna