(Imagem ilustrativa/Pexels) O aumento na conta de luz e, na quaresmeira, cinco maritacas. Quatro fatias de mortadela e um furo na meia. Um beijo inesperado e a notícia do médico. Perder o ônibus por vinte segundos e se lambuzar de manga. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A topada no pé da cama e a sexta de Beethoven. A prosa com o pai e o roubo do celular à luz do dia. Os azulejos contados durante o interminável sermão do padre e a joaninha na janela da copa. O spam e o lenço de papel umedecido. Um naco de goiabada e o sequestro do menino Carlinhos nos idos de 1972. Dois velórios na semana e a dívida enfim quitada. Vencer na sinuca e tropeçar no meio-fio. A cárie e o poente. A água da chuva tilintando na calha e o trem atrasado. Um espirro no meio do concerto e um nascimento na família. Um sonho bom que deixa a gente pensativo o dia todo e um soluço que não passa. O estouro da jabuticaba na boca e o elevador enguiçado. O livro redescoberto, o outro abandonado. Poeira e cocada. A tara e o marasmo. A neblina no mato ou na estrada. Nenhum amigo num raio de dez quilômetros e aquele poema. Cair um cisco no olho e no céu acender a primeira estrela. Poder votar e não ter em quem votar. Um arrependimento e duas esperanças. O gozo e a torturante demora no preparo da injeção. O sinal piscando no cruzamento e uma nota achada no bolso. A brasa acesa e o cheiro do rio Pinheiros. A saudade da mãe e o brinquedo sem pilha. Paris na primavera e o Ministro na TV. O espinho do peixe pinicando a garganta e todos em casa. A fartura e a multa. Uma espinha no lábio e o afago no pelo do cão. A impressionante insistência do call center e a barba bem feita. A lixa e a flanela. Lavar o cabelo no banho e escolher a marca de amaciante no supermercado. O tanto faz que tanto faz. O taxista de boa prosa e a brochada no gol da vitória anulado pelo VAR. Café de coador com broa e carrapato no umbigo. O gato espichado no muro e o jornal que embrulha o copo quebrado. O esquecimento do que parecia inesquecível. Dois enganos: um no telefone e outro no amor para sempre que não era. As previsões terríveis em consequência das mudanças climáticas e apontar pacientemente um lápis. A tosse que não passa e um cochilo no sofá. Pôr à mesa. Tirar a mesa. Pôr à mesa, depois tirar. Lavar a louça, pôr à mesa, depois tirar e lavar, pôr, tirar, e essa coisa absurda que passa de vez em quando pela cabeça.