[[legacy_image_273094]] A vida inteira, a Rua da Paz, ali no Canal 3, foi da Paz. É uma rua simpática, com apenas três quadras, que começa na avenida da praia e termina na Minas Gerais. Seu nome foi criado para celebrar o fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918. Não encontrei a informação no Google ou em livros sobre a história da cidade de Santos. Não: as próprias placas da rua trazem a informação. Agora, veio a Prefeitura e trocou as placas: o nome está escrito em letras brancas sobre um fundo azul, ficou bonito assim – é bom dizer para não acharem que a gente é um bando de chato que só vê o lado ruim das coisas. O problema é que sumiram com o “da”. A Rua da Paz virou Rua Paz. Em todas as placas das esquinas, agora está escrito assim. Ficou meio estranho. Seria uma homenagem ao grande poeta Octavio Paz? À atriz e diretora Bárbara Paz? A intenção foi trazer mais intimidade, ou economizar nas tintas brancas? Sem aquele “da”, parece que a rua perdeu um pouco da personalidade. Como se o carrinho da paçoca ou o carro do ovo não passassem mais por lá. Como se os bêbados de madrugada não parassem nas esquinas para conversar e dar boas risadas. Verdade que nem sempre a Rua da Paz é um sossego só. Vira e mexe, surge um bar ou evento que concentra centenas de jovens na calçada. A rua fica mais alegre, animada, mas daí o burburinho é tanto que é difícil associar o movimento da rua a “paz”. Quem sabe tenham trocado o nome pra ver se a rua aquieta de vez. Será que fizeram o mesmo com a Praça da Independência? Ou com a Rua do Comércio, no Centro? Mudaram para Praça Independência ou Rua Comércio? Vai saber. Nem todo mundo gosta de preposição, acham a palavra antipática, complicada – mas que, sem ela, não é a mesma coisa, não é. Tá, o assunto não tem tanta importância assim. É só uma coisa que a gente se acostuma e sente falta quando some. Mas isso aqui é uma crônica e, como bem sabem os jogadores de dominó dos quiosques da orla, ou as famílias que levam cadeiras para se sentarem em roda no jardim da praia, os assuntos à toa são os melhores. Na boa: dá pra voltar a ser Rua da Paz? Não é mais bonito? Se não der, se ficar muito caro ou complicado, tudo bem, ninguém quer fazer disso uma batalha. Somos da paz.