(Adobe Stock) Sem ser Pollyanna ou fingir que não está vendo a água chegar no nariz, eu prefiro olhar para as mudanças climáticas como uma oportunidade de mudar a chavinha e adotar posturas no dia a dia que jamais fizeram parte da rotina de nossos antepassados. Vamos combinar que, com raras exceções, nossos pais e avós não separavam o lixo, não fechavam a torneira enquanto escovavam os dentes e muitos também não tinham a preocupação de adquirir apenas alimentos e serviços produzidos em processos limpos, com energia renovável e economia circular. Essa consciência é parte de tempos mais modernos, fruto de cenário alarmante que, felizmente, ganha a mídia, os fóruns de discussão, as audiências públicas e até as bolsas de valores mundo afora. Esse é ponto: ninguém mais pode dizer que falar de mudanças climáticas é algo etéreo, desconhecido, pouco compreendido ou fruto da imaginação. Todos estão vendo quão difícil é passar o verão - e parte do inverno- sem ar-condicionado ligado, sair de casa sem protetor solar ou voltar para casa depois da chuva sem encontrar uma rua alagada. Está chovendo mais intensamente e por períodos mais longos. A água do oceano está mais quente e mais ácida. As ressacas são mais frequentes e solapam a estrutura praial. Doenças que estavam sob controle começam a voltar de forma intensa e preocupante, como a dengue e outras de diferentes vetores. Todo esse conjunto de sintomas está diretamente relacionado à alta da temperatura ano após ano. Negar essa relação não é apenas dizer não à Ciência, mas também não permitir que ações sejam adotadas de forma individual. Essa é a notícia boa e num contexto que parece de caos: há informação suficiente para que todos possam agir – se não para esfriar o planeta, ao menos para evitar que ele continue aquecendo ou, ao menos, prevenir as consequências desse quadro. Há tempo, sim, de mudar de postura, seja em relação ao consumo consciente, seja na adoção de práticas mais sustentáveis, seja na seleção dos políticos que vão nos representar nos executivos e nos parlamentos: quantos desses temas estão inseridos em seus planos de governo? Quais são suas metas e prazos para cumpri-los? Que transparência será dada à comunidade conforme essas ações forem sendo adotadas? Qual a política de ajuda às comunidades mais frágeis, mais expostas às mudanças climáticas? O tema não é de governos ou de empresas, apenas. Ele diz respeito ao conjunto de cidadãos que têm o privilégio de acessar a informação qualificada e eficiente, e fazer dessa oportunidade um bom motivo para militar a favor do ambiente. E se é fato que, também nesse campo, a educação básica é fundamental para criar a cultura desde cedo, também é fato que há tarefa para todas as idades. Não há mais tempo a perder.