[[legacy_image_4172]] Hoje, mais do que nunca, impõe-se uma discussão sobre o cotidiano familiar e o (im)possível controle dos eletrônicos no meio das crianças, jovens e adultos. A partir da compreensão de que somos um todo indivisível e relacional, posicionamo-nos seres integrais, repetimos o modelo social que temos como referência porque parece único e imutável. Tomemos por exemplo a crença comum de que a maioria dos filhos não escuta aos seus pais, estão sempre distantes. Repetem-se as frases: - Tenho que falar mil vezes! Acho que ele é um pouco ‘autistinha’, tenho dúvida do comportamento do meu filho etc. Nesse quadro, é recorrente observar que a criança ou o adolescente, fazendo a escuta da fala dos pais, não raras vezes, frustra-se por sentir-se rotulado pelos próprios pais que aprendeu a confiar. É necessário bem orientar a população quanto à não banalização do autismo. O autista é integrante de um grupo de crianças com alterações comportamentais, principalmente identificados pelo isolamento. Essa característica associada ao aspecto social aparece muito cedo. Outra característica perceptível no autista é a regressão na linguagem e no comportamento. Portanto, reflita, se esse é o caso do seu filho. Penso que o nível elevado de ansiedade nos pais gera muito sofrimento nos filhos. Percebo que este tipo de reação melhora quando os pais procuram ajuda de especialistas para orientá-los, proporcionando uma rotina adequada para o enfrentamento das dificuldades que, porventura, estejam vivenciando no cotidiano com os filhos. A meu ver, as manifestações dessas perturbações variam muito em função do nível de desenvolvimento e da idade cronológica do filho nas três áreas do desenvolvimento: interação social, comunicação e comportamento. Para terminar, quero chamar atenção para a melhor observação das crianças. Rogo pela escuta das crianças e adolescentes no dia a dia. Muitas vezes, os filhos estão apenas tentando compartilhar suas necessidades e ainda não adquiriram um vocabulário completo para expressar o que sentem.