[[legacy_image_63803]] Uma moradora de Santos, no litoral de São Paulo, foi condenada a pagar mais de R\$ 10 mil de indenização a um médico que foi ofendido por não receitar cloroquina para ela durante um atendimento no Hospital Ana Costa. O profissional da saúde chegou a ser chamado de 'comunista' e foi exposto nas redes sociais por conta da situação. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em dezenas de lojas, restaurantes e serviços! De acordo com a decisão do Juiz Guilherme de Macedo Soares, a autora das agressões também foi condenada a excluir publicações feitas nas redes sociais, contra o médico, sob multa de R\$ 100 por dia. Apesar disso, ela não precisará pedir desculpas publicamente. O caso ocorreu no dia 26 de Maio do ano passado, quando o médico encontrava-se no plantão do Pronto Socorro do Hospital Ana Costa. Na ocasião, a condenada reclamava de um quadro de frio e tosse seca e se recusou a fazer o teste de Covid-19, exigindo a prescrição de cloroquina e azitromicina. A decisão, porém, saiu apenas nesta semana. Após fazer os exames, o médico concluiu que a paciente estava com sinais vitais bons e solicitou um eletrocardiograma. A ré, porém, afirmou que apenas desejava tomar o 'remédio do presidente', insistindo na prescrição como forma profilática de tratamento ao mencionado vírus, propondo-se a assinar qualquer termo de consentimento. Segundo apurado por A Tribuna, o médico não se sentiu confortável em prescrever os medicamentos, já que os sintomas não indicavam a doença e 'ciente de que não existe comprovação de eficácia científica no combate ao Covid-19'. Outros cinco médicos confirmaram que a paciente não poderia tomar os remédios por conta da idade e dos riscos colaterais. Bastante nervosa, a ré afirmou ser 'advogada' e disse que processaria o médico por não atender o pedido, relatando que o 'presidente dos Estados Unidos da América tomava e que o presidente do Brasil havia autorizado o uso'. Segundo o processo, a mulher chegou a ligar para outras pessoas afirmando que os médicos eram 'comunistas' por não prescreverem o medicamento. Ao sair do Hospital Ana Costa, a paciente fez uma postagem no Facebook atacando o profissional: "Hospitais particulares se recusam a prescrever a Hidroxicloroquina. Com suspeita de Covid-19, hoje me dirigi ao Hospital Ana Costa, em Santos, e fui atendida por um médico que, após os exames de praxe, inclusive eletrocardiograma, eme receitou dipirona e acetilcisteína. Insisti que assinaria o protocolo, mas queria usar o remédio do Bolsonaro. Eles disseram 'Aqui não usamos isso enquanto não for clinicamente testado'. Cheguei à seguinte conclusão: Se onde estou pagando não me receitam, imagine onde devem dar de graça. Assim as pessoas continuam morrendo por não estarem tomando o remédio correro", diz a postagem. Por conta da postagem, o médico registrou um Boletim de Ocorrência entendendo que o texto da ré o acusou de crime de omissão de socorro. Além de se sentir ameaçado e coagido em seu ambiente de trabalho, o médico chegou a temer pela sua integridade física e moral em razão da exposição do seu nome. De acordo com a decisão do juiz, que atua na 2ª Vara do Juizado Especial Cível de Santos, 'a ré infelizmente não teve a sensibilidade de entender que o momento não se presta para hostilizar os profissionais da saúde, muito pelo contrário, já que deveriam ser tratados como heróis, pois, assim o são'. O juiz ainda completou: 'A sociedade precisaria se juntar e pedir desculpas em nome da ré, a começar por este julgador: 'Receba minhas sinceras desculpas'.