[[legacy_image_19088]] Os prefeitos das nove cidades da Baixada Santista estão visivelmente preocupados, e incomodados, com o aumento exponencial dos casos de coronavírus na região. Enquanto muitos países do mundo já começaram, ou devem começar nos próximos dias a vacinação contra a doença, não há, por absoluta incompetência do poder público, uma perspectiva real de que os brasileiros sejam 'abençoados' com o remédio. Mais do que não ter vacina, o que realmente preocupa é a sensação de 'tanto faz' que acomete a sociedade. Enquanto europeus, inclusive os que já estão vacinando, decretam 'lockdowns' até janeiro, no Brasil, a situação é completamente oposta. Cada vez mais, as pessoas ignoram as medidas de distanciamento social, ignoram o uso de máscara e, com essas atitudes, fazem o número de mortos disparar e se aproximar da infeliz marca de 200 mil. Agora, a novidade é que mais uma vez os prefeitos da região querem conter a vinda de turistas durante as festas de fim de ano. O objetivo, claro, é evitar a progressão da contaminação que voltou a assustar o País com a lamentável marca de cerca de 1 mil mortos por dia. Uma das alternativas avaliadas é proibir o acesso às praias. A informação foi confirmada pelo prefeito de Bertioga, Caio Matheus (PSDB). Na reunião do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb) da última terça-feira (15), foi discutida essa implantação de uma espécie de 'cordão de isolamento' nas praias, que funcionaria de 24 a 27 de dezembro e de 31 de dezembro a 3 de janeiro. Sabemos, porém, que ninguém precisa de praia para se aglomerar. É só olharmos para outros pontos das cidades para termos a certeza que a medida, apesar de válida, é quase um 'enxuga gelo'. Qualquer decisão, porém, é ineficaz diante da falta de empatia de milhares de pessoas. Nos últimos dias, o bairro do Gonzaga, por exemplo, passou a ferver durante o horário comercial com pessoas se aglomerando, dentro de lojas e pela própria rua, em busca de presentes de Natal. Muitas, muitas mesmo, absolutamente despreocupadas e sem utilizarem a máscara de proteção. E [quase] não há fiscalização. Bom para o comércio, que realmente precisa funcionar para gerar empregos e fazer a economia girar. A sensação de ir a praia caminhar em um fim de semana, utilizando máscara, é a mesma de ser um marciano pousando uma nave gigantesca na Terra. Enquanto em meados de 2020 vivíamos a situação surrealista de não enxergar o rosto das pessoas, no fim de 2020 observamos exatamente o inverso. Raríssimas pessoas utilizam o equipamento de proteção nas praias cada vez mais lotadas de gente que decidiu acreditar que o coronavírus é só uma 'gripezinha'. É notório o fato de que muita gente ainda não reparou que o coronavírus é praticamente uma roleta russa. Noticiamos, aqui, nesta semana, o caso de um médico da Baixada Santista, de 32 anos, que ficou entre a vida e a morte durante um mês por conta da doença. E ele não tinha nenhuma comorbidade. Também noticiamos, aqui, que o fato de já ter tido a doença não torna a pessoa imune. A primeira reinfecção comprovada já foi registrada no Estado de São Paulo. Particularmente, acredito que proibir o acesso total nas praias não é a melhor solução. A decisão pode até 'espantar' alguns turistas. Mas não é suficiente para frear a aceleração do coronavírus já que, diariamente, acontecem festas, shows e aglomerações em todos os cantos de todas as cidades da região. E tudo isso com uma fiscalização cada vez mais fraca. Assim como a população, o poder público parece cada vez mais sem fôlego dentro de uma locomotiva desgovernada chamada Brasil.