Amanda Fernandes (esq.) foi morta pelo marido, o sargento da PM Samir Carvalho (dir.), em Santos (Reprodução/Redes sociais e Reprodução) O Jornal A Tribuna teve acesso com exclusividade ao depoimento do médico, de 60 anos, que presenciou a morte de Amanda Fernandes Carvalho, de 42, executada a tiros pelo marido, Samir Carvalho, que também é sargento da Polícia Militar, dentro de um consultório médico localizado em Santos, no litoral de São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O crime ocorreu na tarde da última quarta-feira (7). O depoimento do médico aponta que outros policiais estavam no local quando Samir Carvalho esfaqueou e fez vários disparos contra a vítima. A filha do casal também acabou sendo baleada e foi levada para a Santa Casa de Santos. O estado de saúde dela não foi divulgado. Confira o depoimento na íntegra: Que nesta data, por volta das 15h00, encontrava-se em atendimento em sua clínica, sendo que as vítimas, mãe e filha, estavam com consulta agendada para referido horário. Relata que jamais havia visto anteriormente tais pacientes, e que permanecia em sua sala aguardando o momento de chamá-las para o atendimento. No entanto, antes que fossem chamadas, ambas ingressaram repentinamente em sua sala, ocasião em que a mãe, visivelmente nervosa, disse: “meu marido está comigo, está armado, é policial e ele quer me matar, pois estamos nos separando”. Diante da gravidade da situação, trancou imediatamente a porta da sala, colocou duas cadeiras atrás da mesma a fim de reforçar o bloqueio, e permaneceu segurando-a com receio de que fosse arrombada. Solicitou que a mulher chamasse a polícia, mas ela respondeu que uma amiga já havia feito a ligação. Ainda assim, insistiu para que fosse feita nova ligação. Enquanto estavam todos ainda dentro da sala trancada, alguém bateu à porta, tendo o declarante perguntado quem era, mas não obteve resposta. Momentos depois, ouviu a voz de sua secretária, Patrícia, afirmando que poderia abrir a porta, pois a Polícia Militar já se encontrava no local. Também ouviu uma voz masculina dizer: “pode abrir, é a polícia, está tudo sob controle”. Buscando se assegurar, perguntou à secretária se os policiais estavam uniformizados, ao que ela respondeu afirmativamente. Então, abriu parcialmente a porta e dirigiu-se para atrás de sua mesa. Conseguiu ver, no corredor, um policial militar fardado, mas sua visão era limitada e não pôde observar mais ninguém naquele momento. Instantes depois, ouviu diversos disparos de arma de fogo, sendo mais de dez. Acredita que os primeiros tiros foram efetuados de fora da sala, e logo em seguida o atirador adentrou ao recinto, prosseguindo com os disparos em seu interior. Imediatamente abrigou-se atrás da mesa para se proteger. Somente se levantou quando os policiais militares conseguiram conter o agressor. Ao sair de trás da mesa, visualizou que a criança estava ferida no braço. Imediatamente, utilizou seu jaleco para comprimir o ferimento, realizando um primeiro atendimento de emergência. Em seguida, aplicou uma faixa compressiva na perna da menina para tentar estancar um segundo sangramento. Pouco depois, a criança foi socorrida por policiais militares. Por fim, visualizou o corpo da mãe da criança caído dentro da sala, com uma faca cravada no pescoço e banhada em sangue, sendo evidente que não resistiu aos ferimentos. Esclarece que não viu o atirador, pois tão logo ouviu o primeiro disparo, abaixou-se atrás de sua mesa e somente saiu quando ele fora retirado de sua sala.