Ivan Figueiredo jamais trouxe Belchior para cantar na Baixada Santista. Mas foi por medo de avião que um dos mais atuantes empresários do showbiz regional nas décadas de 1970 e 1980 acredita ter deixado de ampliar seus horizontes e, quem sabe, até criar o seu próprio Rock in Rio. Por seu intermédio, Santos e região assistiram nomes como Roberto Carlos, Benito di Paula, Maria Bethânia, Costinha, Chico Buarque, Juca Chaves, além do britânico Joe Cocker. Peças teatrais, como Gaiola das Loucas, também estão no seu currículo. “Comecei como disc jóquei. Trabalhei na (rádios) Universal, Clube. Comecei a conhecer divulgadores de gravadoras, que levavam os artistas no estúdio para serem entrevistados”, recorda. “Já fazia bailes, vendia conjuntos da região, inclusive o Blow Up. Uma coisa foi levando à outra, e começou”. Era início dos anos 1970. Nessa época, havia muitos palcos em Santos. De cinemas, como o Caiçara, na Conselheiro Nébias, e o Iporanga Music Hall, na Ana Costa, aos todo-poderosos clubes sociais, que davam as cartas em boa parte da vida cultural e artística na Cidade. Se há oferta, cria-se oportunidade: nesse panorama, havia uma demanda pujante por espetáculos. Sem falar nos ‘jantares dançantes’, com um conjunto musical animando as noites, mas que por vezes incluíam o show de um grande nome da MPB no cardápio.