[[legacy_image_74079]] Entre janeiro e julho de 2020, intervalo onde muita coisa aconteceu devido à pandemia, São Vicente ficou “em débito” de 1.369 vagas de emprego para com sua população. Isso porque, no período, a cidade abriu 4.169 novos postos de trabalho, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). As demissões, no entanto, somaram 5.538. Fomento à geração de novos postos de trabalho será um dos desafios do próximo chefe do Executivo vicentino. Assine o Portal A Tribuna agora mesmo e ganhe Globoplay grátis e dezenas de descontos Os valores analisados incluem empresas dos setores Comércio, Construção Civil, Indústria e Serviços além de outros não identificados. Em 2019, apesar de pequena, a diferença pendeu para o lado positivo, com 10.304 admissões contra 10.235 desligamentos. Não só o coronavírus é o culpado desse cenário, explica o economista chefe da Análise Econômica Consultoria, André Galhardo. “Claro que derrubou de vez o que resistia já sem forças. Mas aqui também cabe nossa velha mania de não preparamos para os problemas. Eles só vêm, acontecem, a gente tenta se equilibrar ali e esquece novamente. Não aprendemos as lições como deveríamos”. O analista inclui na conta a insistência no turismo como um dos maiores puxadores de economia local, quando a cidade poderia investir também em outros setores. “Você pensa em São Vicente e, automaticamente, vem a imagem da praia ou do centro comercial. Será que a cidade não comporta outros setores? Não cabe um incentivo a indústria, informatização? Área de Biotecnologia... Tem que pensar à frente. Entendo que essas soluções sejam a longo prazo, mas alguém precisa começar. Por que não aqui?” Na visão de Galhardo, a capacitação e inclusão digital são essenciais para uma cidade que vislumbre futuro. “Tem de oferecer oportunidades às minorias, ao povo negro, às mulheres. Com a quarentena, o que mais se falou foi de vender online. Mas se muita gente não tem nem acesso a computador, não sabe usar, como que vende? O mundo do trabalho ainda é muito restrito, fecha as portas a tanta gente. Está na hora de planejar políticas públicas que ofereçam condições reais ao morador da cidade, para que o vicentino estude aqui e trabalhe aqui também. Não adianta perder bons profissionais para empregos na capital”. Olhar ao Centro O empresário Bruno Ung, de 31 anos, administra o restaurante da família num dos pontos mais antigos no comércio da Rua Frei Gaspar. Com opções de lanches e pratos executivos, a casa depende grandemente do movimento ao redor para vender. “Meu público é esse que está nas ruas, né? Executivos dos prédios mais próximos, moradores que estão passando pelas lojas de roupas, cosméticos. Nós e os ‘vizinhos’ todos sentimos na pele os impactos da recessão”. Segundo Bruno, os últimos três anos tem sido difíceis no ponto. Sem ajuda do Poder Público, ele fala por todos quando afirma a necessidade de estratégias de recuperação. “A começar pela segurança. Nessa época do ano, perto de eleições, agentes da Guarda Municipal começam a circular por aqui. No resto do tempo, é um abandono. Antigamente, ficava uma base à frente, ali na Praça Barão. Eu sinto falta do tempo em que podia manter as portas abertas até 21h. Agora, deu seis e pouco, fechamos tudo por risco de assalto”. Iluminação e limpeza das vias também fazem diferença para atrair clientes. “As ruas são escuras e, com tanta sujeira, não dá pra andar. Cabe aí, é claro, conscientização do povo. Mas a limpeza urbana é falha. Muitas vezes, eu e meus funcionários que damos um jeito na calçada. Não considero os impostos caros, porque o ponto é bom, mas a gente paga e não tem retorno”. Ideal para todos Investimentos na infraestrutura da cidade seriam mais um ponto para melhorar a situação do emprego. “Os problemas da ponte [dos Barreiros] dividiram São Vicente no meio. Superando a Covid, espero que logo, eu quero poder vender mais. Empregar mais os próprios moradores. Mas o meu público tem de conseguir chegar aqui. Seria o ideal para todos”.