[[legacy_image_26601]] Pelo menos um a cada quatro moradores de Santos tem idade acima de 60 anos. São 103 mil idosos que possuem registro eleitoral e votam na cidade.Se o momento atual pede que não existam aglomerações e que haja respeito ao distanciamento social por conta da Covid-19, as eleições municipais trazem à tona uma questão para o grupo de risco: Votar ou Não Votar? Essa não é uma opção tão simples, já que o TSE definiu que, quem não for às urnas, terá que justificar a ausência. Assine o Portal A Tribuna agora mesmo e ganhe Globoplay grátis e dezenas de descontos Se por um lado isso acaba forçando o voto, na visão da sanitarista Caroline Farinas não há necessidade da ida das pessoas acima de 70 anos, que fazem parte do grupo em que o voto se torna facultativo. Ela afirma que seria muito bom se as pessoas do grupo de risco, em geral, pudessem justificar a ausência com um atestado médico e não irem votar para evitar um possível risco de contágio. Já o médico infectologista Evaldo Stanislau diz que conhece integrantes técnicos que participaram do aconselhamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, por conta dos vários mecanismos contra a doença que foram aplicados, ele acredita que a forma como a corte decidir será correta e não colocará a vida das pessoas em risco, o que seria o mais importante no atual momento. “Já tive a notícia de que as sessões vão abrir mais cedo e eu acho razoável que essas pessoas não peguem fila de maneira nenhuma, mesmo que haja respeito ao distanciamento. Acho que a pessoa com mais de 60 anos tem que chegar direto e votar, passando na frente dos demais. Se elas tomarem a decisão de votar temos que respeitar e dar todo o amparo para que ela não se contamine”., explica. Pandemia pode influenciar? Para o especialista em ciências políticas Rafael Moreira, cidades com muitos idosos, tendem a ter um maior número de abstenção. “São pessoas muitas vezes no grupo de risco, que estão se cuidando, se mantendo mais tempo em casa, alguma inclusive já passaram pela Covid e tem noção da recorrência da doença”. Sobre o perfil do eleitor idoso de Santos, o cientista político afirma que “estamos em uma cidade em que a proporção de pessoas que apoiam a agenda do presidente da república, Jair Bolsonaro, é alta, e que qualquer atitude tomada por um representante público influencia no comportamento do eleitorado. Por isso, vemos cidades onde Bolsonaro teve alta votação ou tem popularidade alta e a taxa de distanciamento social são mais baixas”. O que dizem os idosos? Edineusa Max Ferreira, de 61 anos, trabalha todos os dias na banca no bairro do Estuário e acha que as pessoas acima de 70 anos que não precisam votar não devem ir, mas quem for precisa ter precaução para que ninguém se contamine. "Eu me arrisco todos os dias. Tenho que trabalhar e não tem jeito. Agora, quem tem a opção de não ir, acho que deve ficar em casa”, conta. Mesmo assim, o dever cívico acaba trazendo opiniões diferentes, como é o caso do aposentado Jair Tenório, de 72 anos. Apesar de não ser mais obrigado a comparecer à urna, o morador da Zona Noroeste assegura que vai registrar o seu voto no dia 15 de novembro. “Eu vou votar, votei minha vida inteira e, se as pessoas querem mudar alguma coisa, elas precisam sair para votar independente se estiver chovendo canivete”.