[[legacy_image_8643]] Emmeio às dúvidas quando ao comportamento da pandemia de Covid-19 e segurança sanitária dos eleitores,1.371.693moradores da Baixada Santistaestão aptos a comparecerem às urnas no dia 15 de novembro, quando será realizado o primeiro turno das eleições municipais de 2020.A definição dos próximos representantes dos Executivos e dos Legislativos locais desse ano, contudo,exigirá desafios na atual corrida eleitoral. Afinal, umaem cadaquatropessoas qualificadas aexercer o direito previsto na ConstituiçãoFederalé da faixa etária considerada de risco à exposição ao novocoronavírus. Assine A Tribuna agora mesmo por R\$ 1,90 e ganhe Globoplay grátis e dezenas de descontos! Apesar de o Estado de São Paulo registrar mais de cinco semanas com queda no número de infecções de Covid-19, cientistas políticos ouvidos porATribuna.com.bracreditam em número recorde de abstenção, em especial ao grupo com60anos ou mais–o de mais elevado risco de óbito da patologia. Conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Baixada Santista tem332.078cidadãos registrados com 60 anos ou mais. Pelas regras eleitorais, aqueles com mais de 70 anos não são obrigados a comparecer nas urnas. Esse recorte representa 46,2% do eleitorado regional alocado na terceira idade (ou 153.754 pessoas). Maior colégio eleitoral da região, Santos concentra a fatia mais robusta desse público: são101.122 santistas na faixa etária de maior risco à Covid-19 – o que representa29,58% dos341.867 eleitores. Caçula entre as cidades locais, Bertioga tem o menor índice de eleitores na terceira idade: são8.088 pessoas, que representa 18,05% dos 44.814 aptos a comparecerem às urnas. (Veja relação completa abaixo). O comportamento do vírus ainda assusta os mais velhos. “Estou em dúvida se exerço meu direito de votar ou se não vou no dia (da eleição). É a primeira vez que penso duas vezes em desistir de votar. Vamos acompanharcomo fica essa pandemia”, diz a costureira aposentada Maria Conceição de Abreu, 87 anos. Mesmo dispensada de comparecer às urnas, a vicentina octogenária afirma não perder uma eleição desde a redemocraticação, no final da década de 1980. “É nossa obrigação. Ficamos muito tempo sem votar. Pena que depois do voto, são poucos aqueles queexercem a cidadania de cobrar dos políticos as promessas feitas”, diz. O cientista político e economista Fernando Chagas destaca que a corrida eleitoral de novembro pode ser marcada com novo recorde de abstenção. Além da pandemia, ele destaca o desencanto do eleitorado com os desdobramentos no cenário político. “Novamente, a desilusão do povo brasileiro com a política e os políticos já aumentaria normalmente a abstenção, os votos nulos e brancos, causando uma diminuição sensível nos votos válidos dessa eleição”.Na corrida eleitoral de 2016, quando os atuais prefeitos e vereadores foram eleitos, a abstenção foi de 22,56% do eleitorado. Desafios As medidas para que não haja uma escalada de casos nos dias posteriores ao comparecimento popular nas urnas se somam às mudanças nas regras eleitorais. Isso porquea campanha desse ano será a primeira na sucessão de prefeitos com“tiro curto”, ou seja, aos pleiteantes terão apenas 45 dias para o tradicional corpo a corpo com o eleitorado. Conforme especialistas, com as limitações “da rua”, os pleiteantes terão uma presença mais massiva nomundo virtual.“A campanha será extremamente difícil e favorece os candidatos conhecidos do eleitorado, principalmente os que já têm mandatos. Há uma dificuldade muito grande para os novos contatar o público e com isso se tornarem conhecidos e passar suas mensagens”, destaca o cientista e marqueteiro político SérgioTrombelli. Os especialistasafirmam que as plataformas de comunicação virtuais serão as principais vitrines políticas, mesmo com aslimitações impostas pelo TSE.“Os candidatos terãodois desafios nessa eleição: convencer o eleitor mais velho ou do grupo de risco a comparecer às urnas e conquistar o voto do eleitor, em seu nome, que tiver disposto a votar e não anular seu sufrágio”, continua Chagas. Com o panorama de pandemia e desestímulo do eleitorado, especialistas alertam para os riscos que essa campanha predominantemente virtual poderá trazer ao processo democrático. “Deverá o candidato trabalhar nas duas frentes com estratégia e inteligência nas ruas e principalmente nas redes sociais com o discurso certo para o seu eleitor”, aconselha. Eleitorado Total Idosos Total Geral % Bertioga 8.088 44.814 18,05 Cubatão 17.694 93.658 18,89 Guarujá 43.869 224.819 19,51 Itanhaém 22.251 81.271 27,38 Mongaguá 13.274 47.506 27,94 Peruíbe 15.676 59.352 26,41 Praia Grande 55.049 226.260 24,33 Santos 101.122 341.867 29,58 São Vicente 55.055 252.146 21,83 Total 332.078 1.371.693 24,21 Fonte TSE