[[legacy_image_27731]] Liberada desde domingo (27), a campanha para as eleições 2020 anda tímida pelas ruas de Santos. Encontrar candidatos que já começam a batalhar no corpo a corpo com eleitores requer uma boa procura. Ontem, alguns poucos cabos eleitorais já podiam ser vistos circulando na feira da Rua Jurubatuba, no Aparecida. Mesmo em tempos de redes sociais dominando a busca pelo eleitorado, as feiras ainda são consideradas ponto tradicional e termômetro para quem busca uma vaga na Câmara de Vereadores, por exemplo, diz o coordenador de campanha Leandro Oliveira, 40 anos. “Estamos começando a sentir como as pessoas reagem ao candidato e isso você só percebe no contato pessoal, no olho no olho. É assim que a gente fica sabendo das necessidades daquele local, daquelas pessoas. O corpo a corpo ainda faz muita diferença”. Por isso, ele deve trabalhar com cerca de 25 pessoas, além de voluntários, para distribuir santinhos e material de campanha. A jovem Angelina Juliana Silva, de 19 anos, é uma das contratadas. Ela está desempregada há um ano e vê na campanha uma nova chance. “Vou aproveitar a oportunidade. Estava procurando emprego, mas com a pandemia, está muito difícil. Então, vou entregar panfleto, apresentar o candidato, buscar conquistar votos e isso vai me ajudar financeiramente”. Gabrielly Maia, 19 anos, está em busca do primeiro emprego. Enquanto não encontra uma chance com carteira registrada, aproveita para ganhar experiência. “Vamos trabalhar com público. É uma boa oportunidade e também vai me ajudar a ganhar um dinheirinho. Vai ser bom”. Experiência Desempregada há seis meses, Karina Guerreiro, 39 anos, vai atuar pela primeira vez em campanha. Mas planeja usar a experiência na área de vendas para atrair o eleitorado às propostas do candidato que representa. “Vou trabalhar 50 dias corridos, durante oito horas. O dinheiro vai ajudar a pagar as contas em casa. Tenho duas filhas”. E, claro, com a pandemia do novo coronavírus, o cenário ganhou, além dos santinhos, panfletos e adesivos, máscaras e álcool em gel no kit eleição, conta a consultora óptica Graziella Alvarado, 40 anos. Ela também está sem emprego no momento e viu na campanha uma oportunidade para reforçar o orçamento de casa. “Já lidava com o público, então tenho técnica para abordar as pessoas e isso será um diferencial para apresentar o meu candidato”. Economia Os valores pagos pelos comitês dos candidatos variam de acordo com as horas e os dias trabalhados. No caso dos aspirantes a vereador que estavam com campanha na rua, a diária estava entre R\$ 20,00 a R\$ 50,00. Para o professor e administrador de finanças, Márcio Colmenero, esses recursos vão ter um impacto semelhante ao auxílio emergencial que vem sendo pago pelo Governo Federal. “É o efeito multiplicador. Os recursos farão diferença para quem está trabalhando ali e para o comércio ao redor, porque o dinheiro acaba sendo gasto na padaria, no açougue, nas lojas e movimenta a economia”. Já o diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira, também diz que os ‘bicos’ de campanha são importante no atual cenário. “Mas não substitui o crescimento baixo que estamos tendo por conta da pandemia. Mas é um alento para o momento”.