Um gigante cercado por água doce está escondido no coração do Brasil. Com aproximadamente 20 mil quilômetros quadrados, a Ilha do Bananal, no Tocantins, é considerada a maior ilha fluvial do mundo e reúne paisagens que mudam completamente conforme o período do ano. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Para ter ideia de suas dimensões, a ilha se estende por cerca de 350 quilômetros no sentido norte-sul e chega a aproximadamente 80 quilômetros de largura, segundo informações turísticas da região. A Ilha do Bananal é formada entre dois cursos d'água: o Rio Araguaia e o Rio Javaés. E uma das portas de entrada para conhecer essa riqueza natural fica em uma cidade que também chama atenção pelo nome: Lagoa da Confusão, a cerca de 220 quilômetros de Palmas. Por que a Ilha do Bananal é tão especial? A dimensão é apenas uma das características que tornam o lugar singular. A região está em uma área de transição ambiental, proporcionando paisagens que reúnem características do Cerrado e da Floresta Amazônica, além de extensas áreas que ficam alagadas durante as cheias. O Ministério do Turismo destaca que, durante a cheia, os passeios de barco permitem observar a transformação da paisagem. Já no período de seca, trilhas revelam a biodiversidade da região e seus numerosos lagos. A importância ambiental da região também é reconhecida pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), que inclui a Ilha do Bananal entre os grandes atrativos naturais da Região Hidrográfica Tocantins-Araguaia. Ilha abriga o Parque Nacional do Araguaia Parte da Ilha do Bananal é ocupada pelo Parque Nacional do Araguaia, unidade de conservação criada em 1959. Originalmente, o parque abrangia toda a ilha, em uma área então calculada em 20 mil km². Seus limites foram modificados posteriormente. Atualmente, o parque protege uma extensa planície sujeita às cheias periódicas dos rios Araguaia e Javaés. A área possui um mosaico de ambientes e exerce papel importante na conservação da biodiversidade. Povos indígenas vivem na região A Ilha do Bananal também possui enorme importância cultural. O território é historicamente ocupado por povos indígenas, entre eles Karajá e Javaé. Segundo o Museu do Índio, os Karajá são habitantes imemoriais da bacia do Rio Araguaia, incluindo a Ilha do Bananal e seus arredores. O território da ilha reúne terras indígenas e áreas de proteção ambiental, algumas delas sobrepostas. Por esse motivo, conhecer determinadas áreas exige atenção especial às regras de visitação. O Ministério do Turismo informa que o acesso às regiões onde vivem populações indígenas e às áreas ambientalmente protegidas é controlado pelos órgãos responsáveis. Lagoa da Confusão é uma das portas de entrada Outra curiosidade é que um dos acessos à maior ilha fluvial do planeta passa por Lagoa da Confusão, município tocantinense que fica a aproximadamente 220 quilômetros de Palmas e já chama atenção pelo próprio nome. A Secretaria de Turismo do Tocantins apresenta a cidade como portal de entrada para a Ilha do Bananal e para o Parque Nacional do Araguaia. A região também se destaca pelo encontro de diferentes ambientes naturais, envolvendo Cerrado, mata e áreas com características pantaneiras. A própria lagoa que batizou o município guarda uma curiosidade: nela há uma grande formação rochosa que, dependendo do ponto de observação, pode dar a impressão de estar flutuando ou mudando de posição. Como chegar à Ilha do Bananal? Lagoa da Confusão não é a única possibilidade de acesso. A Secretaria de Turismo do Tocantins também indica acesso à ilha pela região de Formoso do Araguaia, utilizando a TO-181 ou a BR-242. Como se trata de uma região ambientalmente sensível e com territórios indígenas, quem pretende visitar a Ilha do Bananal deve se informar previamente sobre as condições de acesso, autorizações eventualmente necessárias e regras vigentes para cada área. Mais do que carregar o título de maior ilha fluvial do mundo, a Ilha do Bananal reúne em um mesmo território dimensões impressionantes, biodiversidade, rios, áreas protegidas e a presença ancestral de povos indígenas — um patrimônio natural e cultural brasileiro que ainda é desconhecido por muitos.