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Segunda-feira

3 de Agosto de 2020

Braun Turismo faz 30 anos sem festa, mas de olho no futuro

Agência santista especializada em Disney dribla pandemia e garante o sonho de clientes

Comprometimento com o cliente. Este é o segredo do sucesso da Braun Turismo, que completa 30 anos realizando sonhos de milhares de viajantes, sobretudo jovens que comemoram seus 15 anos viajando aos parques de Orlando, na Flórida, Estados Unidos.

Capitaneada por Paulo, Ligia e Pedro Braun, a agência nasceu na Rua João Pessoa, no Centro de Santos, em agosto de 1990 e, dois anos depois, já passou a funcionar no endereço atual: Rua Dr. Luís de Faria, 62, no Gonzaga. Além dos três sócios, a agência conta com seis pessoas na equipe.

O momento de pandemia, claro, não era o cenário que a família Braun imaginava para a festa de aniversário. Aliás, como acontece todos os anos desde 1992, a operadora especializada em Disney estaria embarcando agora um grupo de adolescentes para o destino. Uma programação especial , que incluiria inclusive um cruzeiro no Caribe, havia sido cuidadosamente planejada.

Porém, o isolamento social imposto pela covid-19 adiou a festa para julho de 2021. “Colocamos à prova tudo o que foi construído nesses 30 anos com nossos clientes, equipe e fornecedores, e o resultado foi excelente”, aponta Pedro, que começou a trabalhar com os pais ainda menino, aos 12 anos. “Com os clientes, os trâmites de remarcação de viagem ou cancelamento se deram sem intercorrências”.

Ele explica que graças ao longo relacionamento estabelecido com os fornecedores, a Braun conseguiu resolver “quase 100% dos casos sem qualquer tipo de cobrança de diferença de valores ou taxas, mesmo quando poderiam ser impostas pelos fornecedores”.

Essa expertise, também adquirida por conta de outras grandes crises enfrentadas pelo setor de turismo, como o fatídico 11 de setembro, também garantiu a manutenção da equipe na ativa. “Mantivemos nossa equipe toda trabalhando em home office, sem desligar ninguém. Tendo em vista que a sede da Braun é própria e sempre tivemos um plano de emergência, tudo transcorreu tranquilamente”.

Upgrade

Com isso, o grupo que viajaria agora foi transferido para 2021, com direito a upgrade de um dia na viagem. E outro grupo de jovens já está sendo formado para o mesmo período, considerado a alta temporada na Flórida. “E estamos vendendo, graças a Deus”.

Segundo Pedro, eles já chegaram a levar 380 pessoas numa única temporada de julho. Mas esse número tem variado muito, devido às inúmeras crises no percurso. “O número anual tem sido uma montanha-russa, de acordo com a melhora e piora das situação econômica e cambial”, diz Pedro. “Em grupos, atualmente, nossa média é de uns 180, 
considerando os últimos quatro anos. Isto em grupos, não de viajantes individuais”.

E toda essa história começou com o Paulo Braun, que, mesmo com a agência aberta, prestava serviço de guia para uma grande operadora daquela época e discordava de muitos procedimentos estabelecidos e decidiu fazer a própria operação. 

“Em 1992 foi nosso primeiro grupo para Orlando. Foram 48 passageiros, e podemos citar nominalmente cada um deles até hoje”, orgulha-se Pedro, ao contar que hoje em dia eles embarcam os filhos desses clientes, que se tornaram amigos com o tempo.

Outra curiosidade é que a venda desses 48 iniciais foi feita pessoalmente por Paulo, que ia na casa de cada família interessada e fazia a apresentação dos programas. O famoso porta a porta... “Não tinha notebook, smartphone... era um envelope com o roteiro impresso em impressora matricial e os folhetos de propaganda dos parques. No ano seguinte, dobramos o número”, conta Pedro.

E nessa caminhada, claro, não faltam boas recordações: “Tenho duas lembranças muito positivas. A primeira era da época que a Disney tinha um guichê de boas vindas para grupos e nosso grupo era sempre recebido como o ‘famoso grupo educado’, pois nossa equipe e nossos passageiros respeitavam muito as regras dos parques e a notícia corria de um ano pra outro. 
Outro, foi quando levei uma senhora deficiente visual pra Orlando, junto com a filha dela, e testemunhei que a falta de um sentido não era empecilho pra realização da viagem dos sonhos. Tudo lá é criado de maneira tão perfeita, que ela amou a viagem, os personagens, os fogos, as atrações...tudo.”

E que lição fica dessa fase que estamos vivendo? “Acho que ficaram várias lições: primeiro, que a empresa que não está preparada para longos períodos difíceis está fadada ao inevitável fracasso. Aprendemos isso com o 11 de setembro e nunca mais nos descuidamos de manter um fundo emergencial. Segundo, é que ao mesmo tempo que temos que nos modernizar e acompanhar as novas tendências, a tradição ainda é nosso maior valor. Não queremos ser os maiores, queremos ser os melhores”.

 

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