[[legacy_image_125330]] A Baixada Santista tem registrado índices positivos em relação à preservação da Mata Atlântica, com quedas no índice de desmatamento. Guarujá, por exemplo, não tem registro de desmatamento desde 2008. Cubatão está desde 2010 sem apresentar queda na área de vegetação do bioma e Mongaguá, desde 2011. Santos não apresenta desmatamento desde 2019. As cidades que registraram ocorrência no ano passado foram Bertioga, com perda de 11 hectares, Praia Grande com 25 hectares e São Vicente com 8 hectares, totalizando 44 hectares, contra 106 hectares registrados em 2019. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Ao contrário do cenário da região, o Estado de São Paulo registrou218 hectares de Mata Atlântica desmatada em 2019 e 2020, um aumento de 406% em comparação ao período entre 2018 e 2019. [[legacy_image_125331]] Os dados são do estudo realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em São Paulo, a cidade que registrou o maior índice de desmatamento em 2020 foi Iporanga, litoral do Vale do Ribeira, com 45 hectares, o equivalente a 50 campos de futebol. A situação é parecida em outras cidades do Estado, mas na Baixada Santista os números são menores que a média estadual. Praia Grande, informou ter 25 hectares desmatados, sendo a cidade que mais desmatou na região, após ficar no zero entre 2005 e 2019. Em seguida, vem Bertioga com 11 hectares e São Vicente com 8. Todas as outras cidades da Baixada não registraram desmatamento no ano passado. [[legacy_image_125332]] Os dados foram coletados pelo “Aqui tem Mata” que é uma ferramenta disponível no site da Fundação que mostra os resultados dos remanescentes florestais de Mata Atlântica de cada cidade. Essa ferramenta funciona em parceria com o Inpe e a plataforma é uma sistematização dos dados coletados pelas entidades. Em 1985, foi feito o primeiro mapa-base com os remanescentes de Mata Atlântica. Atualizado anualmente, o sistema permite a comparação. A coleta desses dados conta com a ajuda do satélite Landsat que utiliza lentes com resolução de 30 por 30 metros. Com as imagens de satélite e o mapa-base em mãos é feita a comparação visual. O diretor de conhecimento do SOS Mata Atlântica, Luís Fernando Guedes Pinto, explica como é feito o processo. “As imagens de satélite são interpretadas visualmente em telas de computador, com o trabalho de dois analistas. O primeiro que faz a detecção do desmatamento e o segundo que audita o trabalho do outro analista para que a gente diminua ao máximo a possibilidade de erro na interpretação das imagens”. No estudo, são consideradas áreas de mata que tenham mais de três hectares de território contínuo e bem preservado. Expansão Urbana e a Mata AtlânticaMesmo com a tecnologia, o trabalho de fiscalização e monitoramento alguns fatores ainda prejudicam a vida da floresta. Um deles é a expansão imobiliária que se tornou um risco para o bioma, que em São Paulo, fica ao redor de metrópoles e cidades litorâneas. “A expansão urbana, que é o que se aplica para as cidades da Baixada Santista, é a onde a gente perde diversas pequenas áreas de Mata Atlântica para loteamentos, construção de infraestrutura e obras nas cidades,” conta Luís Fernando. Além disso, as cidades da região contam com um déficit de políticas públicas habitacionais, que geram ocupações em áreas de preservação. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado “grande parte dos remanescentes de Mata Atlântica da Baixada Santista está protegida por alguma Unidade de Conservação, garantido maior preservação. Contudo, as áreas localizadas fora das Unidades sofrem especialmente com a pressão da expansão imobiliária irregular, que vem sendo objeto de intensa fiscalização pelo estado e pelos municípios”. O bioma é protegidos pela Lei Federal nº 11.428/2006, as áreas de preservação são outra forma de manter a conservação dele. “Sem dúvidas a existência de áreas protegidas e áreas de conservação tem um papel fundamental para manter as matas e a vegetação nativa dos mangues, restingas”, afirma Guedes Pinto. Conservação em SantosPensando na preservação da mata local, a cidade de Santos aprovou, em agosto desse ano, o Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica, com a intenção de mapear as áreas do bioma e ajudar na conservação da floresta e do eco sistema que vive e depende da mata local. O plano começou a ser realizado em 2013, mas foi interrompido e retomou em 2019. “É superimportante você fazer um diagnóstico do que você tem hoje para pensar em estratégias para conservar e também para recuperar o que já foi perdido”, afirma Greicilene Regina Pedro, engenheira agrônoma da Prefeitura. Danos à biodiversidadeO desmatamento causa danos na biodiversidade, danos esses que já estamos começando a sentir. A falta d’água, o desequilíbrio na temperatura, a extinção de animais, a erosão do solo e tudo isso devido a ação humana. Um estudo realizado pelo pesquisador Oliver Wilson revela que até 2050 a Mata Atlântica vai mudar mais do que nos últimos 21 mil anos. O estudo reconstruiu projeções climáticas do passado e das que podem acontecer no futuro, e observou que a expansão do clima quente pode fazer com que surjam áreas que não existiam desde a última Era do gelo. *Reportagem feita como parte do projeto Laboratório de Notícias A Tribuna - UniSantos sob supervisão dos professores Marcelo Di Renzo, Tereza Cristina Tesser, Paulo Bornsen e do diretor de Conteúdo do Grupo Tribuna, Alexandre Lopes.