[[legacy_image_116905]] Rivaldo Amaral joga em três times na várzea. Em Santos, no Grêmio 119; em Guarujá, no Comando; e em São Vicente, pelo Calunga. Sua rotina de treinamento é composta por caminhadas e corridas na praia, três vezes por semana. Praticante de atividades físicas desde os 14 anos, a dica que ele dá para o bom preparo é alimentação balanceada, exercícios físicos e consumo de bebida alcoólica apenas socialmente. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Com toda essa atividade, é fácil achar que Rivaldo tem cerca de 30 anos. Contudo, na verdade, ele possui mais que o dobro dessa idade, e aos 63 anos, é um exemplo dos sessentões da várzea, um grupo que cresce cada vez mais na Baixada Santista. Quando se fala de jogadores com mais idade, logo vem à mente a imagem de senhores sedentários e fora de forma. Mas Rivaldo e outros como ele quebram esse estereótipo. Além de não aparentarem a idade que possuem, demonstram que o preparo físico tem evoluído, também, nessa faixa etária. Há uma década, por exemplo, não existia campeonato para atletas de 50 anos. Hoje, não só há um torneio para eles como outro para os de 60. “Quando eu falo a minha idade e as pessoas dizem que eu não aparento, isso me faz pensar melhor no preparo físico”, comenta João Carlos Dieguez, goleiro da Sociedade Esportiva Calunga, da Vila Margarida, em São Vicente. Sua rotina de treino consiste em malhar três vezes por semana e manter uma alimentação saudável. “Tem que treinar e se dedicar, porque as pessoas colocam fé na gente. Eu tenho 61 anos, mas acreditam em mim. O que eu não posso, simplesmente, é viver só do passado, dizer que joguei. Tenho que continuar jogando. Esse é o segredo, a gente ter vontade de continuar fazendo o que gosta”. O meia-atacante e capitão do Calunga, José Santos, conhecido como Birruga, está com 60 anos e diz que a paixão por atividade física vem desde os 10. Seu envolvimento com o esporte não é apenas pelo futebol. Passou mais de uma década praticando natação. Atualmente, faz musculação quatro vezes na semana, acompanhada de boa alimentação e grande quantidade de suco verde. Além de frequentar academia, ele anda de bicicleta para ajudar no preparo físico. [[legacy_image_116906]] Mais um craque do Calunga, Wagner Cruz da Silva ainda não é um sessentão, mas aos 59 anos surfa quase todos os dias e joga futebol duas vezes na semana para manter a boa forma. “O segredo é comer bem e dormir bem, sem noitada, amando a vida e o que você faz. Isso é de suma importância: fazer tudo com amor e determinação”. Mesmo durante a pandemia, ele não deixou de praticar atividade física. Fazia exercício todos os dias em casa, utilizando peso e bola. Quando fala sua idade, a reação é sempre a mesma mencionada por Dieguez. “As pessoas falam que não aparento a idade que tenho”. O fisiologista Gilberto Monteiro dos Santos, de 57 anos, explica que hoje é mais fácil ser ativo, porque há mais informações sobre a prática de exercícios do que se tinha antes, além de terem surgido novos métodos e mais locais de treinamento. “Aos 60 anos, há um declínio fisiológico considerável. Quem sempre se manteve em atividade vai ter uma curva menos acentuada de queda nessa faixa de idade do que alguém que nunca fez nada ou começou muito tardiamente”, explica. * Reportagem feita como parte do projeto Laboratório de Notícias A Tribuna-UniSantos sob supervisão do professor Eduardo Cavalcanti e do diretor de Conteúdo do Grupo Tribuna, Alexandre Lopes.