[[legacy_image_126609]] Os CDs sobrevivem na era das plataformas deStreaming.As lojas em Santos, que vendem esse tipo de mídia digital, mantêm um público fiel e apontam que os mais jovens têm aderido a ela. “Eu recebo aqui, na loja, (clientes de) todas as faixas etárias. Percebo um crescimento de adolescentes buscando a mídia física”, diz Sérgio Dias, 54 anos, proprietário da Besouro Discos, no Gonzaga. “Acho que o CD continua com seu público fiel e, por isso, nem ele nem o LP vão sucumbir. Ainda existe público para toda forma de se ouvir música”, reforça Dias. O empresário admite, entretanto, que o consumo de CDs passa por um período de instabilidade. “É um momento parecido com o de quando tentaram 'matar' o vinil, e não fabricavam mais discos. Hoje, os carros vêm sem CD player e os computadores não trazem mais as gavetas de CD”, explica. Segundo levantamento feito pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica, em 2019, a venda de mídia física (CD, LP e outros formatos) no Brasil correspondia a apenas 1,4% do consumo de música. Naquele ano, o segmento movimentou US\$ 298,8 milhões (cerca de R\$ 1,5 bilhão), sendo 72,4% desse valor correspondente ao consumo porStreaming edownloads pagos). Quanto a um aumento na venda da mídia física no futuro; esta ainda é uma questão tida como incerta. “É difícil de ser preciso. Tudo muda a cada minuto. É muito importante notar que essa divisão de quem compra mídia física ou não é bem antiga”, explica Rafael Paulino Neto, 60 anos, da loja Blaster, no Gonzaga. Paulino Neto avalia que, pelo volume de CDs lançados nos mercados dos Estados Unidos e Europa, é difícil falar em extinção dessa mídia no curto prazo. “Logicamente, a quantidade fabricada e vendida de cada título é muito menor que há 20 anos, mas o número de títulos é ainda muito grande. Se levarmos em conta lançamentos independentes, possivelmente até maiores". Os consumidores que frequentam a Blaster estão entre os 30 e 50 anos e, em muitos casos, começaram a formar coleções antes da era dos streamings -um público que já comprava a mídia para colocar no CD player e não se acostumou com os novos meios. A segmentação dos clientes se deve, também, a outros motivos. Paulino diz que o fator econômico “conta muito”. “É considerável a quantidade de gente que gostaria de comprar mídia física e não tem condições”. Obra com concepção“O consumo de CDs começou a cair há uns 10 anos, mas, agora, essa mídia tem sido procurada novamente”, afirma Cláudia Guimarães Chelotti, 63 anos, dona da Disqueria, sebo tradicional do Boqueirão. “As pessoas não estão mais satisfeitas em consumir músicas soltas, sem capa, ficha técnica. O CD, assim como o LP, é um álbum fechado, com concepção, uma obra pensada e concluída”. Alexandre Serrano Macia, o Pepinho, proprietário da Iron Fist, no Gonzaga, acredita que a mídia física continua forte no mundo inteiro. “O vinil, de dois anos para cá, tem vendido cada vez mais, e os CDs viraram um nicho. Existem muitos colecionadores que mantêm suas coleções e compram com frequência. É o produto que mais vendo na loja”. Pepinho avalia que o CD vende bem, porque é mais barato que o vinil e menor, mais fácil de manusear. “Em geral, o cliente não compra só um CD na loja. Ele compra dois, três, ou até mesmo dez”, afirma. Embora destaque a alta procura pela mídia, ele ressalta que o produto é voltado a uma faixa etária restrita. Cerca de 80% do público da Iron Fist tem acima de 30 anos. João Marciliano Fernandes Leão, 55 anos, conhecido como Fera, dono da Sound of Fish, no Gonzaga, critica o que considera qualidade inferior do streaming. “O som das plataformas de músicas é muito comprimido. O pessoal do rock, por exemplo, que é o público principal da loja, gosta de um som mais cristalino e, nessas plataformas, o som sai muito condensado e linear. A mídia física tem um som mais orgânico”. Além disso, ele argumenta que o CD tem atrativos como encarte, ficha técnica e fotos. “Um ilustrador fez aquela capa, tem coisas embutidas, não é descartável”, diz Marciliano, que admite algumas vantagens na música online. “Você consegue escutar o disco antes dele ter saído em CD. Se quer divulgar sua banda, é a melhor forma, principalmente na música ‘underground’. É como se fosse um cartão de visitas”. *Reportagem feita como parte do projeto Laboratório de Notícias A Tribuna-UniSantos sob supervisão do professor Eduardo Cavalcanti e do diretor de Conteúdo do Grupo Tribuna, Alexandre Lopes.