[[legacy_image_121414]] Com objetivo de estimular a retomada das atividades culturais, impactadas e prejudicadas pela pandemia da covid-19, o Programa de Ação Cultural de São Paulo (Proac SP) beneficiou neste ano 90 projetos desenvolvidos na Baixada Santista. Somados, eles receberão R\$ 4,1 milhões em verbas. Ainda assim, nem tudo é motivo para festa e alguns integrantes do cenário cultural regional entendem que o projeto paulista poderia abraçar ainda mais artistas locais. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Entre as iniciativas contempladas, as de Santos se destacam por concentrarem 40% do total de recursos (quase R\$ 1,7 milhão) e representarem 43% dos selecionados. São Vicente vem em seguida na listagem do Proac SP, com R\$ 475 mil garantidos e dez projetos selecionados. Criado em 2006, o Proac SP tem como objetivo regulamentar a oferta de patrocínios culturais no Estado. Na pandemia, ganhou ainda mais importância. Além dele, a Lei Aldir Blanc - que prevê o incentivo federal à cultura - também ajudou pessoas que trabalham no ramo cultural e nunca tinham tentado participar de iniciativas desse tipo nem sabiam por onde começar. BeneficiadosA escritora de livros infanto-juvenis Marcella Rossetti, de 40 anos, é responsável pela saga Filhos da Lua, que já está no terceiro volume e utiliza acontecimentos históricos de Santos e locais icônicos da Cidade como pano de fundo para sua obra. No Proac de Ações Locais, com 308 inscritos, ela foi uma das três selecionadas e elencou as dificuldades de ser bem sucedida na missão.“Uma dica para quem quiser tentar esse tipo de incentivo em 2022 é que, para preencher os requisitos previstos de forma interessante, vai levar no mínimo uma semana para cada edital. O processo requer uma atenção muito grande. Temos que entender exatamente o que os juízes querem”. O programa estadual também contemplou quem chegou à Baixada Santista há menos tempo, como é o caso do colombiano Brayan Arevalo, o Gori,de 36 anos. Ele está desde 2018 no Brasil e mora em Guarujá. Atualmente, é responsável pelo projeto Território Hip Hop, uma websérie documental que já tem uma temporada disponível no canal Gorifilmsoficial, no YouTube. A categoria do Proac SP em que ele se inscreveu também é a das ações locais, assim como Marcella. A proposta do colombiano é promover a realização da segunda temporada da websérie sobre hip hop, desta vez contemplando artistas das cidades de Guarujá e Santos. “Tive a iniciativa de fazer esse projeto com o propósito de reunir duas frentes artísticas que gosto muito, o rap e o audiovisual”, diz Arevalo. “Aproveitando que sou novo no País, quis conhecer os artistas locais e a cena por meio desse projeto. Fico muito surpreso pela boa acolhida e os grandes talentos que a Baixada Santista oferece”. Ele conta que a primeira temporada foi realizada graças ao incentivo da Lei Aldir Blanc. “Conseguimos realizar cinco músicas inéditas e o mesmo número de episódios, dando visibilidade a artistas que trabalham pela cultura do rap na Cidade”, afirma Arevalo. ContestaçãoPara Junior Brassaloti, 44 anos, integrante do coletivo Vila do Teatro, o ano ficou marcado por um recorde de exclusão de projetos do Proac SP. “O Governo anuncia um grande número de inscrições, mas na verdade é ao contrário. Pessoas, projetos e iniciativas deixaram de ser realizadas com recurso do programa no Estado inteiro. Ficou nítido como esse modelo está falho e precisa ser revisto. Uma adequação orçamentária precisa ser feita, até em função de São Paulo ser o estado mais rico do Brasil”. Como outros produtores culturais, Junior inscreveu projetos nas diferentes linhas possibilitadas pelo Proac durante o ano. Foi contemplado com o Sarau da Vila do Teatro, que existe desde 2012 e reúne literatura, música e artes cênicas no Centro Histórico de Santos. “Tem muitos projetos interessantes aprovados na Baixada Santista, e muitos projetos históricos que não foram aprovados, mas que têm tradição muito grande na região”. * Reportagem feita como parte do projeto Laboratório de Notícias A Tribuna-UniSantos sob supervisão do professor Eduardo Cavalcanti e do diretor de Conteúdo do Grupo Tribuna, Alexandre Lopes.