[[legacy_image_109646]] Há 30 anos, um público modesto ouvia as primeiras notas do rock alternativo da banda santista Garage Fuzz, tocadas na Dynamo, extinta casa de shows da Capital. Naquela noite de 19 de outubro de 1991, a banda não era headliner, e tocou para quem chegou mais cedo para ver o Pin Ups, de Santo André. Hoje, muitas noites de shows depois, o Garage Fuzz é referência nacional no hardcore, e completa três décadas de existência com o lançamento de mais um EP e nova formação. O que não mudou, na nova fase, foi o som. As músicas de andamento rápido e guitarras distorcidas, mas melódicas, pontuam Let the Chips Fall, lançado em julho, e composto por três músicas inéditas. É o primeiro trabalho profissional sem a voz de Alexandre Cruz, o Farofa, que deixou o grupo quando mudou para Israel. O escolhido para assumir os vocais foi Victor Franciscon, conhecido por ter sido da banda paulistana Bullet Bane. O Garage, além dele, é formado por Fabricio de Souza, no baixo; Fernando Basseto e Wagner Reis, guitarras; e Daniel Siqueira, na bateria. O baterista, membro mais antigo, explica que a decisão de seguir em frente foi apoiada por Farofa, que mantém boas relações com o grupo, e não queria ser responsável pelo seu fim. Mesmo assim, continuar não foi unanimidade. “Foi uma decisão em conjunto, mas o meu voto pessoal era de que a gente deveria ter mudado o nome da banda”, revela Siqueira. Apesar da mudança, Let the Chips Fall carrega a identidade que tornou o Garage Fuzz conhecido em todo o País. Franciscon foi a primeira escolha para os vocais, e teve liberdade para escrever as letras e compor as melodias de voz em cima das faixas instrumentais. “Encaixou perfeitamente”, diz Daniel Siqueira. “Ele é muito talentoso, tem carisma e um timbre de voz bem parecido com o do Farofa. A gente não mudou absolutamente nada do que ele fez”. A recepção dos fãs tem sido boa, de acordo com o baterista. Ele diz não ter visto ninguém se manifestando contra, ou criticando. “O que as pessoas mais falaram foi sobre a obra que o Farofa deixou, a competência. Tudo que o Farofa fez pelo Garage Fuzz foi enaltecido”. Passagem histórica Daniel Siqueira ainda guarda o bilhete da passagem do ônibus que pegou para subir a serra e tocar no primeiro show, em São Paulo. Os ensaios começaram em abril de 1991, como um trio que já contava com Farofa nos vocais e também na guitarra, que ele deixou de lado com a entrada de novos integrantes. A formação se firmou como quinteto, tendo Fernando Zambeli na guitarra, de 1993 até 2009, e Marco Butcher nos vocais, por um breve período em 1992. O disco de estreia, Relax in Your Favorite Chair, saiu no ano seguinte. Desde então, a banda conquistou novos territórios. Com alta rotatividade na MTV Brasil, distribuição internacional e apresentações ao vivo bem comentadas, a banda se consolidou como uma das mais respeitadas e influentes do indie rock brasileiro. “Foram eles que profissionalizaram a cena santista”, resume Rodiney Assunção, um dos diretores do documentário Califórnia Brasileira, que trata do cenário hardcore de Santos, nos anos 90. Retorno aos palcos Difícil falar do Garage Fuzz sem mencionar as apresentações ao vivo, empolgantes mesmo quando vistas em vídeo, a única possibilidade com a pandemia da covid-19. Nos shows, com o público, o som da banda ultrapassa as gravações de estúdio. O lado hardcore se manifesta com mais intensidade na sinergia entre músicos e fãs, nas rodas de mosh - um tipo de dança que atrai os fiéis, ao mesmo tempo que pode assustar os não iniciados. Com a experiência de 30 anos de estrada e quatro álbuns de estúdio, além de EPs, coletâneas e discos ao vivo, Daniel Siqueira admite que sente falta dos palcos, onde a banda nasceu, e ainda mostra o que faz de melhor. Com a nova formação, o grupo já tocou em duas lives, mas o calor do público faz falta. “É diferente tocar ao vivo. Nós estamos muito ansiosos para fazer show, loucos para que acabe essa maluquice que virou o mundo para podermos voltar a tocar”, diz o baterista, que deixa no ar a possibilidade de realização de uma nova edição do Fuzz Fest, o festival organizado pela banda, em um futuro próximo. [[legacy_youtube_Ir_Px4T9LNA]] * Reportagem feita como parte do projeto Laboratório de Notícias A Tribuna - Unisantos sob supervisão do professor Eduardo Cavalcanti e do Diretor de Conteúdo do Grupo Tribuna, Alexandre Lopes.