[[legacy_image_110587]] Economizar dinheiro, ganhar tempo no trânsito e de quebra ficar em forma. Quem utiliza bicicleta como principal meio de locomoção, diariamente, sabe bem o impacto que essa preferência — ou necessidade — faz na rotina. “Faço mil coisas e não gasto nada com ela. Só encho o pneu de 15 em 15 dias. De bike, tudo é rápido”, diz a diarista Rosimeire de Jesus Peixoto, 50 anos, que utiliza a bicicleta como principal meio de transporte para o trabalho, assim como milhares de pessoas, todos os dias, nas cidades da região. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Santos) aponta que, só na ciclovia da orla, durante os períodos de pico, cerca de 2 mil bicicletas passam por hora pelos acessos de Santos e Guarujá, pela balsa, e entre Santos e São Vicente, pela divisa entre as cidades. “Conheço muita gente que anda de bike a vida inteira para trabalhar”, reforça Rosimeire. Ela destaca a importância da malha cicloviária em Santos para garantir a segurança de quem utiliza com frequência esse meio de transporte. Ela diz que é preciso tomar muito cuidado com os carros, porque muitas vezes o motorista abre a porta sem olhar quem está do outro lado, seja pedestre ou ciclista. Ela também se queixa da falta de pistas em algumas regiões da Cidade. Por morar no Boqueirão e circular sempre pela região do Gonzaga para chegar a outros bairros em que trabalha, ela diz sentir falta de pista exclusiva na Avenida Washington Luís. “Tem na praia e na Avenida Afonso Pena, mas não tem no Canal 3. Ou você se locomove pela calçada do canal, ou no meio da pista. Sempre sigo do lado direito e deixo os carros à esquerda”. Ao todo, o município de Santos conta com 58,3 quilômetros de vias para bicicletas. Ao todo, são 33 pistas, considerando os trechos entregues juntamente com as obras na entrada da Cidade e em bairros da Zona Noroeste. [[legacy_image_110588]] O técnico em manutenção audiovisual Cristóvão Ferreira da Silva, 37 anos, diz que, além da economia financeira, utiliza a bicicleta por questão de saúde. Ele participa de grupos de corrida, atletismo e ciclismo, e percorre mais de 20 quilômetros para ir e voltar do trabalho todos os dias. Morador do bairro Santo Antônio, em Guarujá, Ferreira utiliza como trajeto a ciclovia da Avenida Ademar de Barros, próxima de sua residência, pega a balsa para fazer a travessia e segue pelas vias cicloviárias em Santos, até chegar na Avenida Conselheiro Nébias, onde trabalha. É nesse trecho que redobra a atenção, justamente porque ali não tem faixa exclusiva. Por este motivo, é favorável à união dos ciclistas da região. Segundo ele, deveria ser feito um abaixo-assinado para que a área de ciclovia e ciclofaixa fosse ampliada. Cristóvão Ferreira admite que muitos ciclistas “abusam” de seu direito. “Se você está em uma via e tem 1,5 metro para andar, o ciclista tende a seguir um pouco além e andar em direção à calçada. O ideal é sempre se manter pela ciclovia, até por questões de segurança”, avalia. Consciência O presidente da Associação Brasileira de Ciclistas, Jessé Teixeira Felix, 58 anos, considera os novos ciclistas como cidadãos mais conscientes e responsáveis.“Os ciclistas de hoje são aqueles que já utilizavam o meio de transporte”, diz, e por isso estão bastante habituados com as regras e os cuidados exigidos no trânsito. Jessé Felix aponta, ainda, que a bicicleta é hoje o meio de transporte mais utilizado na Baixada Santista e Vale do Ribeira, tanto pela economia com a locomoção, como pela manutenção barata e fácil acesso, mesmo que os valores tenham subido nos últimos meses. Seguindo essa tendência, o Bike Santos é um serviço voltado a quem não tem bicicleta. De acordo com a CET-Santos, o serviço funciona com 370 bicicletas, distribuídas em 37 estações, localizadas em diferentes pontos da Cidade. Em 2018 e 2019, o número de ciclistas utilizando o sistema atingiu seu ápice, com, respectivamente, 543.841 e 595.932 usuários. Já em 2020 e até agosto de 2021, com a pandemia, o número foi reduzido drasticamente, para 373.454 e 214.810 usuários. * Reportagem feita como parte do projeto Laboratório de Notícias A Tribuna - UniSantos sob supervisão da professora Lidiane Diniz e do diretor de Conteúdo do Grupo Tribuna, Alexandre Lopes.