[[legacy_image_135258]] Nauany Pótu-Coereguá Gomes passou a infância vendo o avô, João Gomes, curando as pessoas da tribo Bananal, em Peruíbe, onde cresceu. Ele era não só o cacique, mas também o pajé da aldeia, e a inspiração para a neta seguir o mesmo caminho, só que agora como médica. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Aprovada na Universidade Federal do Rio Grande, a jovem sempre acompanhava Gomes no tratamento de doenças e diz que também queria fazer algo que pudesse ajudar as pessoas. “Por isso, escolhi a Medicina.” A estudante afirma que ficou surpresa ao ver que tinha conseguido passar na universidade gaúcha. “Não conseguia falar, só chorar de alegria. Foi a maior emoção que eu já senti, depois do nascimento dos meus irmãos”. A felicidade foi tanta que não contou a conquista imediatamente para a mãe, porque na hora não parava de chorar. Nauany não contém a alegria ao falar do momento que está vivendo, mas admite que não é fácil morar longe da família. Ela se mudou para a cidade de Rio Grande em novembro. O curso começou em agosto, mas remotamente. No mês passado, foi adotado o ensino híbrido, com duas aulas presenciais, e as outras, remotas. A jovem mora com uma amiga perto da faculdade, o que ajuda na adaptação. Para Nauany, estar distante de seus familiares pela primeira vez é a principal dificuldade. “A saudade está muito forte. Antigamente, estava acostumada a ver minha família todos os dias.” O Ensino Médio de Nauany foi em uma Escola Técnica Estadual (Etec), onde ela diz que se sentiu acolhida. “É uma escola que respeita e promove a diversidade”, afirma. Além disso, fez cursinho na Uneafro, que é oferecido gratuitamente aos indígenas. O maior obstáculo que ela teve para passar na universidade foi o acesso à internet. Com a pandemia, no começo do ano passado, o ensino a distância dificultou a vida de Nauany. “Eu morava na zona rural, e a internet tinha picos, ficava indo e voltando”, conta. Mesmo com todos os problemas, ela conseguiu realizar o sonho de estudar Medicina, sem esquecer a herança cultural da tribo e do avô. (*) Reportagem feita como parte do projeto Laboratório de Notícias A Tribuna - UniSantos sob supervisão do professor Eduardo Cavalcanti e do diretor de Conteúdo do Grupo Tribuna, Alexandre Lopes.