[[legacy_image_116752]] Poesia é palavra feminina. Assim como Literatura e arte. E, dando feminilidade a essas expressões, a sociedade vem sofrendo mudanças cada vez mais perceptíveis. Se antes ignoradas, ou silenciadas, agora as mulheres dão voz e vida à fantasia. Para a jornalista e escritora santista Eunice Tomé, isso ainda é pouco: ela quer muito mais. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Autora do livro Pequenos Contos de Viagem, Eunice, de 74 anos, entende bem o poder dessa arte, e da influência das mulheres na produção literária. Jornalista, mestre em Comunicação e poeta, suas palavras ecoam em livros e nas redes sociais, espaço que encontrou sua voz e de autores anônimos da região. Para ela, o período de isolamento imposto pela pandemia foi transformador. “Eu tenho muitas amigas e nós ficamos impedidas de ter contato físico e assim eu tive a ideia de nos comunicar declamando poesias”, conta a poeta sobre o que deu início ao projeto que resultou na descoberta de 80 novos autores da Baixada Santista. “Eu pensei: por que não divulgar as vozes da Cidade? Então, eu criei o projeto Sarau em Casa com Pratas da Casa”. Com o retorno das aulas presenciais em São Paulo, Eunice pretende dar continuidade ao trabalho com os mais jovens. As declamações que nasceram no formato digital passarão a ser trabalhadas com os alunos dos ensinos Fundamental e Médio. A ideia do projeto é apresentar para os estudantes a história de vida e obras dos autores santistas. “Divulgar nossos valores, nossos poetas para as novas gerações. Muitas vezes acabam por esquecer aqueles que estão próximos da gente. Todos os autores que declamei no projeto, agora quero apresentar para os alunos presencialmente”. Auxílio da internetEm seus textos, Eunice une duas paixões:jornalismo e poesia. Ao viajar pelo mundo, o olhar que por anos esteve apurando fatos se tornou mais sensível. A pandemia não permitiu que, ao menos por enquanto, Eunice percorresse os mais variados lugares para buscar inspiração para a sua poesia. Mas, foi através da tela de um celular que ela continuou exibindo os seus sentimentos por meio de estrofes declamadas. Eunice conta como a autopromoção na internet a ajudou alcançar mais pessoas com seu projeto de poesia. Durante o isolamento, a poeta selecionou trabalhos de autores ainda desconhecidos, e com sua imagem e voz declamava os poemas. “Enquanto você não for um autor consagrado, nenhuma editora irá bater na sua porta dizendo que quer te publicar. E nós que escrevemos não queremos que fique guardado, trancado. Você quer divulgar. E nada melhor que a internet para alcançar seu público”. *Reportagem feita como parte do projeto laboratório de notícias A Tribuna-Unisantos, sob supervisão dos professores Marcelo Di Renzo, Tereza Cristina Tesser e Paulo Bornsen e do diretor de conteúdo do Grupo Tribuna, Alexandre Lopes.