Especialistas destacam que o comportamento pode refletir mais do que comodidade ou falta de tempo (Divulgação / Freepik) Você chega em casa cansado, tira a roupa e, em vez de guardá-la no armário, coloca-a naquela cadeira do quarto. No dia seguinte, a pilha cresce um pouco mais, até que, em poucos dias, o móvel desaparece debaixo de camadas de tecidos. Se essa cena é familiar para você, saiba que não se trata apenas de desorganização: a psicologia tem explicações para esse comportamento e aponta que ele pode revelar muito sobre a sua relação com as tarefas do dia a dia e até com o autocuidado. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O fenômeno da "chairdrobe" O costume de acumular roupas em cadeiras ganhou até nome em inglês: “chairdrobe” (mistura das palavras “chair”, cadeira, e “wardrobe”, guarda-roupa). De tão comum, o hábito virou meme nas redes sociais e tema de discussões em fóruns de organização doméstica. No entanto, especialistas destacam que o comportamento pode refletir mais do que comodidade ou falta de tempo. Ele pode estar relacionado a padrões emocionais e até a indícios de sobrecarga mental. O que a psicologia diz sobre o hábito Segundo psicólogos, empilhar roupas em cadeiras diariamente pode estar ligado a três fatores principais: Decisão adiada – Guardar ou lavar? Ao deixar a roupa na cadeira, a pessoa posterga uma escolha simples, o que reflete um padrão de procrastinação. Sobrecarga mental – Quando a rotina é exaustiva, tarefas básicas como dobrar ou guardar roupas podem parecer trabalhosas demais. Zona de conforto – A cadeira funciona como um “meio-termo”: a roupa não está limpa o suficiente para voltar ao armário, nem suja o bastante para a lavanderia. Esse hábito “é um pequeno exemplo de como lidamos com as decisões cotidianas. Quando há acúmulo, pode indicar falta de energia mental para organizar não só o ambiente, mas também a própria rotina”. Acúmulo e bem-estar Vários estudos já mostraram a relação entre ambientes desorganizados e níveis de estresse. Um quarto bagunçado, por exemplo, pode impactar a qualidade do sono e até gerar sensação de falta de controle. A pilha de roupas na cadeira, ainda que pequena, pode funcionar como um lembrete constante de uma tarefa não concluída, alimentando a sensação de pendências. É um problema sério? Especialistas reforçam que o hábito, por si só, não significa transtorno psicológico. Mas quando a bagunça se torna crônica ou afeta a vida social e a rotina, pode ser um sinal de alerta para questões como: procrastinação crônica; ansiedade; fadiga mental ou burnout; dificuldades de organização executiva, comuns em pessoas com TDAH. Como quebrar o ciclo da "cadeira das roupas"? Psicólogos e especialistas em organização sugerem pequenas mudanças que podem ajudar: Estabeleça um tempo limite: se usar a cadeira como apoio, comprometa-se a esvaziá-la antes de dormir. Crie um espaço intermediário: uma caixa ou cesto só para roupas já usadas, mas ainda limpas. Torne a tarefa automática: guarde ou lave a peça imediatamente após trocar. Reavalie a rotina: se a pilha é constante, pode ser reflexo de excesso de atividades ou falta de pausas para autocuidado. Conclusão A famosa cadeira coberta de roupas pode parecer apenas uma questão doméstica, mas, na visão da psicologia, é um reflexo de como lidamos com decisões, organização e bem-estar mental. Pequenas mudanças de hábito podem não apenas deixar o quarto mais arrumado, mas também melhorar a sensação de ordem interna.